Estudantes do IFFar/FW realizam mobilização contra retrocessos na educação

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Estudantes realizam mobilização para discutir sobre retrocessos na educação. Foto: Julia Saggioratto.

Por Julia Saggioratto e Sabrina Ritter, para Desacato.info.

Ocupar o prédio central e paralisar o funcionamento das atividades do Instituto Federal Farroupilha, campus Frederico Westphalen, é o objetivo da mobilização organizada pelos estudantes do coletivo Movimenta IFFar, realizada durante a tarde desta quinta-feira, 6, no auditório da instituição. Os principais assuntos colocados em pauta durante a concentração dos estudantes foi a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 241, que limita os investimentos públicos, desobriga o Estado executar investimentos básicos, como 10% do PIB (Produto Interno Bruto) à educação, o que dificultaria, por exemplo, a expansão dos Institutos e a oferta de novos cursos. Além desta, esteve entre os assuntos pautados, a PLP (Projeto de Lei Complementar)  257, que propõe cortes a direitos trabalhistas, desprotegendo os trabalhadores, além de destruir a previdência social.

Estudante Dionatan Martins comenta que os estudantes têm direito à educação pública e de qualidade. Foto: Julia Saggioratto.
Estudante Dionatan Martins comenta que todos os brasileiros têm direito à educação pública e de qualidade. Foto: Julia Saggioratto.

O estudante Dionatan Martins, integrante do Movimenta IFFar, comenta que o coletivo organizou do dia para a noite todas as atividades. Inúmeros alunos participaram da assembleia que definiu as ações que serão executadas nos próximos dias. O prédio central do Instituo Federal será ocupado pelos estudantes que farão uma “posão” durante a noite, utilizando o tempo para estudar sobre os retrocessos na educação, para fabricação de faixas e cartazes, além de envio coletivo de e-mails para deputados sobre os assuntos debatidos. Dionatan comenta que qualquer brasileiro merece uma educação pública e de qualidade e que por isso o objetivo da ocupação é mobilizar todos os estudantes. “A gente tem poder e estrutura para mostrar o que a gente quer e pelo que a gente reivindica”, declara. O estudante relata, ainda, que antes da organização os estudantes se reuniram para estudar e compreender o que propõe a PEC 241 e a PLP 257.

Professor César Augusto Gonzáles fala sobre marginalização de disciplinas humanas como sociologia, filosofia e artes. Foto: Julia Saggioratto.
Professor César Augusto Gonzáles fala sobre marginalização de disciplinas humanas como sociologia, filosofia e artes. Foto: Julia Saggioratto.

A mobilização contou com o apoio do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), que contribuiu com recursos financeiros para a fabricação de banners, panfletos e utilização de carro de som. Durante sua fala na assembleia, o professor do Instituto César Augusto González, falou sobre a reformulação do ensino médio, o que propõe a Medida Provisória 746, a qual impede, ainda, um debate sobre este tema. Além disso, marginaliza disciplinas humanas como sociologia, filosofia e artes, precarizando o ensino. César falou ainda sobre o quadro orçamentário, que possui cortes em todas as áreas, e sobre a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2017, a qual não garante o orçamento necessário para o funcionamento dos Institutos Federais. O professor César destacou que os estudantes possuem total apoio dos professores e funcionários nesta causa.

Debates aprofundaram os conhecimentos sobre a PEC 241 e PLP 257 e, na sequência, os alunos realizaram uma caminhada com cartazes proferindo gritos de ordem até o campus da UFSM/FW.  Entre os gritos ouvidos na mobilização, “Juventude que ousa lutar constrói poder popular”, foi um dos que mais unificaram a voz dos estudantes. Atos semelhantes acontecem em todos os campi de Institutos Federais do país e marcam o posicionamento e indignação dos estudantes do ensino público diante do retrocesso que vem acontecendo nos últimos meses. Os estudantes continuarão mobilizados promovendo atos em Frederico Westphalen nos próximos dias.

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