Estes que são contra os gays, são contra o que?


Por Willian de Luca.

Sempre leio, diariamente, notícias sobre gênero, orientação sexual e temas correlatos, graças a filtros no Google e as informações postadas no Twitter. Esta clipagem feita todos os dias me dá acesso a uma amplitude de opiniões, contra ou a favor dos direitos LGBT, e o que me permite fazer uma análise sobre o principal argumento dos opositores dos direitos gays: perder o direito de criticar. Mas a pergunta que não quer calar é: sobre o que eles são contra?

 

De acordo com grupos de extrema-direita, políticos (falsos) moralistas e religiosos fundamentalistas, o problema é o comportamento “imoral” dos homossexuais. E por comportamento imoral citam a promiscuidade (na atualidade, comum entre jovens gays ou heteros) e a anti-naturalidade dos relacionamentos gays, que seriam imorais por serem contra as ‘leis de deus’.

 

Em detrimento do que diz a bíblia ou qualquer outro livro sem fundamentação teórica reconhecida por boa parte da comunidade cientifica, a orientação sexual é moldada por diversos fatores biológicos, como questões hormonais durante a gestação e predisposições genéticas, além fatores ambientais e culturais. Apesar de não haver consenso na comunidade cientifica sobre como seja formada a orientação sexual de uma pessoa, em um ponto, todas as teorias são unânimes: atração afetiva e sexual não se escolhe, não se molda e nem é passível de ser trocada. Seja hetero ou gay.

 

Então, assim como etnia ou gênero, a orientação sexual é uma característica inata, e não há escolha em nenhum momento de seu processo de formação, tornando o termo ‘opção sexual’ sem sentido. Esta característica inata da orientação sexual a torna sim, ao contrário do que dizem os fanáticos religiosos ou políticos acima, imune a críticas. Criticar ‘modo de vida dos homossexuais’ é tão genérico quanto criticar ‘modo de vida dos heterossexuais’, já a única característica obrigatoriamente em comum entre gays é sua atração afetiva e sexual por pessoas do mesmo sexo.

 

Dizer que ser gay é pecado, ok. Pra algumas religiões, comer carne de porco, mulheres comerem junto com homens ou até matar um inseto é pecado. Agora, julgamentos morais são outros quinhentos. Ao julgar um gay como ‘imoral’, ‘abominável’ ou ‘errado’, um religioso pode estar agredindo psicologicamente um homossexual de forma irreversível. É justo? Seria justo um negro ter de mudar de cor por conta de uma imposição religiosa em relação a ‘imoralidade da cor de sua pele’? Seria justo uma mulher ter de se vestir de homem pra ganhar o respeito da sociedade que a cerca? Teria ela de fingir ser o que não é para poder viver em paz?

 

Pois é isso que cobram alguns destes radicais que querem patrulhar as vidas privadas (e públicas) de outras pessoas. Que gays mudem seu ‘comportamento obsceno’ para satisfazer os delírios homofóbicos e segregacionistas de alguns. E querem manter seu direito de criticar abertamente uma característica inata de pessoas que não optaram por serem como são: apenas são. Assim como foi usada para justificar a submissão das mulheres ante aos homens e até a escravidão, a bíblia é usada contra os direitos dos homossexuais. Hoje, é inconcebível tentar qualquer argumento contra a igualdade entre gêneros e etnias. Quem sabe, o amanhã seja azul para os gays, também.

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.