E viva a Matemática!

Júlio César de Melo e Souza, mais conhecido como Malba Tahan e seu livro “O homem que calculava”

Por Elenira Vilela, para Desacato.info.  

Hoje é dia da Matemática!!

Sim, isso diz respeito a todxs! Não foge, não! Vamos comemorar!

Hoje é o Dia Nacional da Matemática no Brasil. A data foi escolhida por ser o dia do nascimento de um dos matemáticos brasileiros que mais se preocupou com a divulgação do conhecimento matemático e do gosto pela matemática. Júlio César de Melo e Souza (1895 – 1974), foi Professor do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro e autor de muitos livros de Matemática e romances. Júlio usava o pseudônimo de Malba Tahan, porque não acreditava que as pessoas fossem dar crédito e querer ler um livro sobre matemática escrito por um brasileiro.

Felizmente essa é uma situação que mudou bastante, além do próprio Júlio ter sido reconhecido em sua importância como matemático, professor e escritor. A pesquisa em Matemática por aqui evoluiu tanto que atualmente o Brasil (por meio da Sociedade Brasileira de Matemática – SBM) faz parte do seleto grupo de 11 países nível 5 em produção de pesquisa dessa área da União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês) desde 2018. Também já tivemos o primeiro brasileiro a ganhar o prêmio mais importante de Matemática do mundo, a medalha Fields, o também carioca Artur Ávila.

Sei que estamos em um momento em que o governo ataca frontalmente as Ciências Humanas e muitas pessoas têm, com toda razão, feito defesas efusivas dessas ciências. Mas lembremos que os ataques são às ciências básicas, quando afirmações do tipo “temos que financiar o que dá retorno, como engenharia e veterinária” são feitas e à educação como um todo, quando o pragmatismo e o tecnicismo voltam a ser referência e os cortes no financiamento são tão profundos.

Além disso, não existe essa de “sou de humanas” como se isso significasse um selo te autorizando a uma ignorância quase completa sobre uma ciência e linguagem que cada vez mais é base e instrumento para determinar aspectos da nossa vida em um mundo cada vez mais tecnológico. Assim como é inadmissível que alguém de matemática saia por aí dizendo “sou de exatas” por isso posso ignorar totalmente a história do meu país ou dizer que não quer nem saber o que é organização política.

Gosto de lembrar que figuras tradicionais e fundamentais das ciências humanas estudaram Matemática profundamente como Marx e Rosa de Luxemburgo. E que, por outro lado, não deixaram de estudar e se posicionar sobre questões políticas, filosóficas e sociais matemáticos e cientistas das chamadas ciências duras ou exatas (ambas denominações terríveis e errôneas, mas que são de uso comum e por isso utilizadas aqui) como Einstein e Stephen Hawking. E gosto de lembrar também que a ignorância matemática é um poderoso instrumento de opressão e exploração. Portanto dar acesso a esse conhecimento da maneira mais ampla, significativa e profunda deve ser um objetivo de todas e todos que lutam pela emancipação e liberdade humanas.

Assim sendo, ilustram essa minha pequena comemoração fotos de exemplos de um gênero literário de divulgação científica, mas especificamente o que gosto de chamar de literatura matemática. São muitos textos que abordam a matemática não necessariamente para os que dedicam sua vida a estudar e ensinar esse lindo conhecimento, mas que querem se apropriar de questões fundamentais do pensamento matemático, aspectos filosóficos, históricos, contextuais, conceituais e conhecer as suas diversas aplicações nos mais variados ramos da ciência e da vida humana. Possivelmente Malba Tahan tenha sido um dos criadores desse gênero no mundo com seu “O Homem que Calculava” e certamente o foi no Brasil.

Tenho presenteado amigos e amigas com alguns desses e os desafiado a romperem o bloqueio e, porque não dizer, o preconceito e se abrirem para essa leitura. São livros muito bem escritos, divertidos de ler, que além de entreter desafiam, ensinam e podem ajudar cada um(a) a mudar a visão que tem sobre a Matemática! Eles costumam ser acessíveis a quem tem vários níveis de conhecimento matemático e não são carregados de tecnicalidades, mas te permitem acessar aos poucos partes dela, desses instrumentos poderosos para compreender a realidade.

Venha você também! Não há nada a perder e muito a ganhar!

E Viva a Matemática!

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Elenira Vilela é professora e sindicalista.

 

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