‘Criação de frente ampla é o início do fim do bipartidarismo em Honduras’, diz ex-chanceler de Zelaya

Publicado em: 29/06/2011 às 17:18
‘Criação de frente ampla é o início do fim do bipartidarismo em Honduras’, diz ex-chanceler de Zelaya

Español/Português.

Por Giorgio Trucchi.

A criação de uma nova força política progressista e plural em Honduras para concorrer à próxima eleição presidencial em 2013 é considerada pela ex-chanceler do governo de Manuel Zelaya, Patricia Rodas como “uma vitória da luta popular e da dignidade patriótica do povo”.

A decisão, proposta originalmente pelo ex-presidente Zelaya, cujo governo foi deposto em 2009 por um golpe de Estado, foi aprovada no último domingo (26/6) pela Assembleia Extraordinária da FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular),  será chamada de Frente Ampla de Resistência Popular. Zelaya é coordenador-geral da FNPR.

Rodas regressou ao país juntamente com Zelaya no último 28 de maio, após a consolidação do Acordo de Cartagena. Ela foi deportada no mesmo dia do golpe de Estado, permanecendo mais de 23 meses no exílio.

Segundo Rodas, a FNRP nasceu da necessidade de dar vida à resistência espontânea que se originou depois do golpe de 2008. “Essa necessidade de reunião e mobilização conduziu à criação da maior força política jamais vista em Honduras”. Nesse sentido, a proposta feita por Zelaya de criar uma frente ampla representa “a interpretação correta de uma demanda que surge do povo”, afirmou Rodas.

Para a ex-chanceler e atual membro da Comissão Política da FNRP, a formação de uma força política de transformação e mudança significa “o começo do fim do bipartidarismo e a ruptura da barreira que vai permitir vencer ao Estado oligárquico”.

No entanto, Rodas afirmou estar consciente das dificuldades que a decisão trará. “A oligarquia não deixará de nos atacar, e sabemos que enfrentaremos um adversário poderoso. O povo hondurenho se rebela e vai mobilizar-se para conquistar sua liberdade”.

Segundo informações do Cofadeh (Comitê de Familiares de Detidos e Desaparecidos em Honduras), de 28 de junho de 2009 até março de 2011, foram registrados 95 assassinatos políticos, 244 casos de maus tratos e 200 pessoas foram exiladas. Seis mil detenções foram realizadas por razões políticas, sendo que 157 pessoas foram processadas pela mesma razão.

Durante seu discurso na frente dos mais de 1,5 mil delegados da FNRP,  Zelaya afirmou que a organização e  seu braço político, a Frente Ampla de Resistência Popular, são as únicas forças em Honduras capazes de “vencer o terrível modelo econômico que nos explora. Essa oligarquia perdeu todo o direito de governar e  deve deixar rapidamente o poder político”, disse o ex-presidente hondurenho.

Apoio brasileiro

A assembleia do FNRP contou também com a presença de Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz). Para Gomes, essa assembleia é “um feito histórico de grande significado, não somente para Honduras, mas para toda a América Latina”. “É também uma resposta à política golpista, apoiada por Estados Unidos, que pretende intimidar os governos progressistas e continuar militarizando a região”, afirmou.

A ativista brasileira recordou também o respaldo dado pelo governo brasileiro ao ex-presidente Zelaya e ao povo hondurenho. “O Brasil sempre apoiou o presidente legítimo de Honduras e seu povo em defesa da soberania e da justiça social”, afirmou Gomes.

Dissidência

Entretanto, a decisão tomada pela maioria dos delegados do FNRP de criar uma Frente Ampla e convocar um plebiscito para a instalação de uma Assembleia Constituinte não foi compartilhada por diversas organizações que integram a resistência hondurenha.

De acordo com Salvador Zúniga, dirigente do Copinh (Conselho Civil de Organizações Populares e Indígenas de Honduras), criar uma força política para participar das eleições significa “reconhecer e legitimar a institucionalidade golpista, caindo na armadilha de um sistema que ainda é controlado pelos mesmos atores que organizaram o golpe de Estado”. Para o dirigente indígena, a única forma para se iniciar um processo eleitoral é, antes de tudo, refundar o país, através da convocação de uma assembleia constituinte popular, democrática e original.

 

“La creación de un Frente Amplio es el inicio del fin del bipartidismo en Honduras”, dice ex canciller de Zelaya

La creación de una fuerza política progresista y plural en Honduras para participar en las próximas elecciones nacionales en 2013 es considerada por la ex canciller del gobierno de Manuel Zelaya, Patricia Rodas, como “una victoria de la lucha popular y de la dignidad patriótica del pueblo”.

Esa decisión, que secunda la propuesta hecha por el ex presidente Zelaya, cuyo gobierno fue derrocado en 2009 por un golpe de Estado, fue aprobada este domingo (26/6) por la Asamblea Extraordinaria del FNRP (Frente Nacional de Resistencia Popular), y dará vida al Frente Amplio de Resistencia Popular. Actualmente, Zelaya desempeña el cargo de coordinador general del FNRP.

Rodas regresó al país junto con Zelaya el 28 de mayo, después de la firma del Acuerdo de Cartagena. Ella fue deportada ilegalmente el mismo día del golpe de Estado, permaneciendo más de 23 meses en el exilio.

Según Rodas, el FNRP nació como una necesidad de darle vida orgánica a la resistencia espontánea que se originó después del golpe de 2009. “Esa necesidad de aglutinarse y movilizarse condujo a la creación de la más grande fuerza política jamás vista en Honduras”. En este sentido, la propuesta hecha por Zelaya de crear un Frente Amplio representa “la correcta interpretación de una demanda que surge del pueblo”, afirmó Rodas.

Para la ex canciller y actual miembro de la Comisión Política del FNRP, la conformación de una fuerza política de transformación y cambio significa “el comienzo del fin del bipartidismo y la ruptura de la barrera que va a permitir vencer al Estado oligárquico”.

Sin embargo, Rodas señaló estar consciente de las dificultades que encierra esta decisión. “La oligarquía no dejará de atacarnos y sabemos que nos enfrentamos a un adversario poderoso. El pueblo hondureño hoy se rebela y va a movilizarse para conquistar su libertad”.

Según datos brindados por el COFADEH (Comité de Familiares de Detenidos Desaparecidos en Honduras), del 28 de junio de 2009 hasta marzo de 2011, se registran 95 asesinatos políticos, 244 casos de tratos crueles e inhumanos y 200 personas exiliadas. Seis mil detenciones fueron realizadas por razones políticas y 157 personas fueron procesadas por la misma razón.

Durante su intervención ante los más de 1,5 mil delegados del FNRP, Zelaya fue enfático en señalar que esta organización y su brazo político, el Frente Amplio de Resistencia Popular, son las únicas fuerzas en Honduras capaces de “vencer el terrible modelo económico que nos explota. Esa oligarquía ha perdido todo el derecho de gobernar y debe ser sustituida rápidamente del poder político”, dijo el ex presidente hondureño.

Brasil solidario

La asamblea del FNRP contó también con la presencia de Socorro Gomes, presidenta de Cebrapaz (Centro Brasileño de Solidaridad con los Pueblos y la Lucha por la Paz). Para Gomes, esa asamblea es “un hecho histórico de gran significado, no sólo para Honduras, sino para toda América Latina”. “Es también una respuesta a la política golpista, apoyada por Estados Unidos, que pretende intimidar a los gobiernos progresistas y continuar militarizando la región”, afirmó.

La activista brasileña recordó también el respaldo brindado por el gobierno brasileño al ex presidente Zelaya y al pueblo hondureño. “Brasil siempre apoyó al presidente legítimo de Honduras y a su pueblo en la defensa de la soberanía y de la justicia social”, afirmó Gomes.

Disidencia

La decisión tomada por la mayoría de delegados del FNRP de crear un Frente Amplio y convocar a un plebiscito para la instalación de una Asamblea Constituyente, no fueron compartidas por diferentes organizaciones que integran la resistencia hondureña.

De acuerdo con Salvador Zúniga, dirigente del Copinh (Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras), crear una fuerza política para participar a elecciones significa “reconocer y legitimar la institucionalidad golpista, cayendo en la trampa de un sistema que aún está controlado por los mismos actores que dieron el golpe de Estado”. Para el dirigente indígena, la única forma para ir a un proceso electoral es, antes de todo, refundar el país, a través de la autoconvocatoria a una asamblea constituyente popular, democrática y originaria.

Deixe uma resposta