CONTRAF BRASIL cobra do Governo soluções para acampados há mais de oito anos

Reunião na Casa Civil (Foto: Patrícia Costa – CONTRAF BRASIL)

Por Patrícia Costa.

Sem execução das políticas de reforma agrária Governo deixa milhares de agricultores e agricultoras familiares debaixo da lona

A CONTRAF BRASIL foi até a Casa Civil reivindicar ações e efetividade para resolver os gargalos do Governo referente a morosidade dos processos de regularização das áreas de acampamento. A reivindicação retoma a discussão sobre a reforma agrária, que em 2016 ficou paralisada devido aos cortes e falta de orçamento público para pagamento das áreas desapropriadas.

Três regiões pontuais foram apresentadas, sendo elas no estado de São Paulo, Pará, Bahia e Goiás. Todos os acampamentos apresentados estão há mais de 8 anos aguardando os processos de regularização. São mais de 300 famílias vivendo em más condições, ou seja, sem abastecimento de água potável e moradia, pois enquanto acampados vivem sem nenhuma infraestrutura adequada. No entanto, os agricultores e agricultoras já produzem hortaliças, arroz, mandioca, milho, ou seja, utilizam a terra para a produção de alimentos e recuperaram a área que estava inutilizada.

O problema apresentado à Casa Civil é uma luta antiga da CONTRAF BRASIL e dos movimentos sociais que reivindicam uma política mais efetiva para reforma agrária. No Brasil, 70% dos alimentos consumidos são oriundos da Agricultura Familiar e não do agronegócio. Portanto, a pauta é legítima já que os grandes latifúndios produzem em sua maioria apenas a soja, que ainda assim é exportada. Dados de 2017 apontam que os 115 milhões de toneladas de soja colhidas, 78% foram para a China. A agricultura familiar por sua vez, produz feijão, milho, leite, horticultura, fruticultura, mandioca, trigo, batata, arroz, entre outros que são a base de alimentos da mesa do brasileiro. E ainda, utiliza o sistema sustentável, agroecológico que preserva os recursos naturais e o meio ambiente.

A agricultora e agricultor familiar, Mari Costa e Marcelo Santos, ligados a FAF São Paulo, participaram da reunião e dizem que entre todas as dificuldades de trabalhar no campo a maior delas é a luta pela terra. “Queremos apenas nosso direito à terra, que nos é garantido na Constituição, para plantar e produzir de forma adequada” conta a agricultora e Marcelo completa, “ lutar pela terra no nosso país você vai ao limite, estamos há oito anos nessa batalha e debaixo da lona, a morosidade é muito grande”. Eles são acampados numa região de São José do Rio Preto, em São Paulo, com 74 famílias.

Participaram da reunião o assessor especial da Casa Civil, Renato Rodrigues e técnicos da secretaria de governo. Ainda, Marcelo Afonso e Rogério Arantes do Incra e lideranças da CONTRAF BRASIL e FAF São Paulo.

Fonte: CONTRAF BRASIL

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