Como resistir à doutrina do choque de Donald Trump

Publicado em: 19/06/2017 às 09:14

Estudei a questão do choque durante muito tempo. Dez anos atrás, publiquei o livro A Doutrina do Choque, uma análise do fenômeno ao longo de quatro décadas: de 1970, com o golpe de Pinochet no Chile – apoiado pelos EUA –, a 2005, com o Furacão Katrina.

Notei uma tática brutal empregada repetidamente por governos de direita: se aproveitar da desorientação causada por episódios traumáticos – guerras, golpes de Estado, atentados terroristas, crises econômicas e catástrofes naturais – para suspender a democracia e implantar medidas “neoliberais”, enriquecendo os mais ricos às custas dos pobres e da classe média.

O governo dos EUA está semeando o caos. Todos os dias. É claro que muitos dos escândalos são resultado da ignorância e dos erros do presidente, e não de alguma estratégia maliciosa.

Mas não restam dúvidas de que alguns assessores muito astutos do presidente estão usando tais choques diários como um pretexto para propor medidas radicalmente pró-empresariado – medidas que contradizem muitas das promessas de campanha de Donald Trump.

E o pior é que isso deve ser apenas o começo.

Temos que nos preparar para o que o governo fará quando puder explorar uma grande crise de causas externas.
Talvez seja um crash econômico, como o de 2008. Ou um desastre natural, como a Supertempestade Sandy. Ou então um terrível ataque terrorista, como os de Manchester, nesse ano, e Paris, em 2015.

Qualquer uma dessas crises poderia alterar drasticamente a conjuntura política dos EUA, permitindo que Trump e sua equipe nos empurrem goela abaixo suas ideias mais radicais.

Mas tem uma coisa que aprendi em duas décadas cobrindo dezenas de crises no mundo todo: é possível resistir a essas táticas.

Para facilitar a exposição, tentei resumir tudo em cinco pontos principais.

Adaptado do novo livro de Naomi Klein, No Is Not Enough: Resisting Trump’s Shock Politics and Winning the World We Need. O livro será publicado em novembro de 2017 pela Bertrand Brasil.

Tradução: Bernardo Tonasse.

Fonte: The Intercept.

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