Circuito cultural Paralela Arquitetura e Artes encerra com reflexões sobre empatia e pluralidade

Foto: Luis Mendes.
Cerca de 25 mil pessoas foram impactadas durante uma semana pelo circuito cultural Paralela Arquitetura e Artes, que trouxe mais de 30 atividades construídas a partir de direitos constitucionais, em alusão aos 30 anos da Constituição Federal.

O evento possibilitou ao público entrar em contato com a luta por cidadania de diversos grupos sociais, ter empatia e ser tocado por essa experiência, em atividades culturais gratuitas.

Entre 14 e 22 de setembro, a arte e a arquitetura foram facilitadores para enxergar a cidade e suas relações.

“A Paralela possibilitou, momentaneamente, que a cidade se tornasse uma galeria pública. A arte se desenvolveu no cotidiano das pessoas. A ferramenta artística foi apropriada por pessoas que, inclusive, nunca imaginariam ser chamadas de artistas. Houve uma ressignificação do uso do espaço público e uma sensibilização na forma de ver o outro”, reforça Louise Serraglio, arquiteta e membro da organização do evento.

Exemplo disso foi o teatro “A saga em busca de um banho – pelo direito a ter direitos”, protagonizado e concebido por pessoas em situação de rua. O Largo da Catedral, no Centro, foi palco da estigmatização e das agonias da própria rua, transformadas em poesia e música no espetáculo.

“Quando essas pessoas se utilizam da linguagem teatral como uma maneira de se expressar, elas além de estarem reduzindo vários danos, estão rompendo com toda uma lógica de colonização que a gente tem”, disse a atriz Carolina Pommer, que dirigiu a encenação.

Ainda no evento, houve o encontro do público com lideranças negras e indígenas no cinema com roda de debate “Cinekombi Murundu”, no Parque Morro da Cruz; nas “Conversas Urbanas” no escritório de arquitetura Urbe, no Centro, e na oficina de rap a “Rua Demanda”, no terminal desativado de Integração do Saco dos Limões.

Nos encontros e intervenções do “Ciclo Terapêuticx”, na oficina “Colazine Mulheres Artistas” e no circo “Sintomas”, mulheres ministraram atividades em prol das mulheres, reforçando a necessidade da igualdade de gênero e do direito de ir e vir.

O público também pode se projetar como presidente do país no projeto fotográfico “Retratos da Constituição”, e ver seu rosto espalhado em ‘lambes’ na cidade. Já no projeto “Vazios Habitados”, foi possível refletir sobre o papel social da habitação, ao ver projeções de pessoas nas janelas da abandonada escola Antonieta de Barros, no Centro.

O evento ainda contou com oficinas diversas – dos direitos culturais à dança – criação de um parquinho com crianças, exposições de arquitetura e debates sobre o papel do arquiteto contemporâneo.

A organização do evento, que não é político-partidária, defende que saber dos nossos direitos é uma forma de conseguir cobrá-los. E saber da vivência das pessoas que lutam por direitos diariamente, renegados de benefícios essenciais, pode auxiliar a mobilizar toda a sociedade por políticas públicas mais inclusivas.

A relação completa de atividades está no site www.paralelaflorianopolis.com e nas redes sociais /paralela.florianópolis (Facebook) e @paralelafloripa (Instagram).
O evento foi viabilizado pelo Edital Elisabete Anderle de Estimulo à Cultural 2017, da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), e Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU-SC). Apoio institucional Fundação Franklin Cascaes, Prefeitura de Florianópolis e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Câmpus Florianópolis.

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