Circo Dona Bilica recebe neste final de semana o espetáculo teatral: “A descoberta das Américas”

Texto original do italiano Dario Fo

Prêmio Nobel da literatura em 1997

Direção da Italiana Alessandra Vannucci

Atuação do ator carioca Julio Adrião, Prêmio Shell de Melhor Ator visto por mais de 250 mil pessoas em cerca de 400 apresentações pelo Brasil e exterior.

Espetáculo: “A Descoberta das Américas”

Origem: Rio de Janeiro-RJ/Brasil

Texto original: Dario Fo

Tradução e adaptação: Alessandra Vanucci e Júlio Adrião

Direção: Alessandra Vanucci

Iluminação: Luiz André Alvim

Figurinista: Priscilla Duarte,

Atuação: Júlio Adrião

Duração: 1h30

Classificação etária: 14 anos

O espetáculo

Johan Padan, um Zé Ninguém malandro, embarca por engano em uma das caravelas de Cristóvão Colombo, após ter sua namorada bruxa assada pela Inquisição. No novo mundo, ele sobrevive a um naufrágio, aprende a língua dos nativos, é preso e quase engolido pelos índios. Safa-se fazendo “milagres”. Guia um exército indígena que expulsa os invasores.

O ator Júlio Adrião conta, através de onomatopéias e mímicas, a triste história da ocupação das Américas e dos massacres dos índios. O espetáculo se desenvolve como se uma pessoa voltasse de viagem e reunisse os amigos para contar como foi. Para dar mais veracidade aos fatos e fazer com que seus ouvintes consigam visualizar o que realmente aconteceu, tenta-se reproduzir todos os sons, os trejeitos das outras pessoas, enfim, tenta-se mostrar e não apenas contar a história.

No monólogo não há cenário, nem sons, nem efeitos de luz, nem mudança de figurino – nada do que habitualmente se vê em uma peça de teatro.

Só, em cena, o ator narra sob o ponto de vista do povo, virando a História pelo avesso. O narrador atua num estado de emergência, movido pela cruel e engenhosa economia da fome do protagonista, que quer sobreviver justamente para narrar sua história.

Para narrar interpretando todos os personagens, inclusive peixinhos, índios, espanhóis, cavalos, galinhas, Jesus e Madalena, ele estabelece um pacto de cumplicidade por meio do vocabulário mímico (imagens, gestos e máscaras) e sonoro (palavras, ruídos, onomatopéias), que tende a substituir a fala. Como se estivesse contando aquela história de improviso, cada detalhe provoca a lembrança do seguinte, numa cadeia de significados em que algumas coisas são ditas, outras aludidas, outras inventadas.

O desafio é achar o jeito de, a cada noite diferente, jogar com a platéia e fazer com que ela jogue. Jogar como? Decodificando as imagens com a ilusão de “ver” tudo que o ator sugere.

A obra “Johan Padan alla Descoverta delle Americhe” foi escrita em 1992 pelo italiano Dario Fo (Nobel de literatura em 1977) para comemorar os 500 anos da Descoberta das Américas. Ao tratar da colonização, o texto fala também do Imperialismo e faz alusão às divergências atuais entre os países. 

HISTÓRICO 

Um dos maiores sucessos da década, a premiada ‘A Descoberta das Américas’, que rendeu Prêmio Shell de melhor ator ao ator Julio Adrião. Estará em Florianópolis este final de semana no espaço cultural Circo da Dona Bilica.

A Descoberta das Américas, de Dario Fo, direção de Alessandra Vannucci, continua navegando no talento do ator Julio Adrião mundo adentro, Brasil afora.

O texto de Dario Fo, inspirado em fatos reais narrados pelo navegador e cronista Álvar Núñes Cabeza de Vaca, revisita de maneira irônica e crítica episódios ocorridos na Flórida do século XVI. Mas a história poderia ser bem daqui, da terra brasileira.

O sujeito conta com admirável maestria os fatos que se sucederam lá pelos idos de 1492, quando, por acaso, ele embarcou em Sevilha numa caravela de Cristóvão Colombo. É um tal de entrar em navio errado, domar cavalo bravo, escapar de virar sopa de índio antropófago, engambelar espanhol metido a esperto, que só vendo, tudo num incontável mix de sotaques, mímicas e interpretações do ator Julio Adrião.

Em 2005, ano da estreia oficial na cidade do Rio de Janeiro, o espetáculo foi vencedor do Prêmio Shell de melhor ator e, em seguida, eleito pelo Jornal O GLOBO-RJ uma das 10 melhores peças do ano. Entre diversas apresentações em festivais no Brasil e exterior o ator Júlio Adrião cumpriu em 2010 circulação com Patrocínio da BR Petrobras Distribuidora e Governo Federal através da Lei Rouanet, passando por diversas cidades da região Nordeste do Brasil.

CONCEPÇÃO 

A Descoberta das Américas propõe uma renovação da linguagem teatral, apostando na simplicidade, lançando mão de recursos indispensáveis e de um registro de interpretação enérgico, dinâmico que estabelece uma comunicação direta e próxima do público.

Um ator só em cena, sem aparato (cenário, figurino, iluminação e até texto são reduzidos ao mínimo), atua num estado essencial, de emergência. O protagonista da Descoberta, acossado por uma cruel economia da fome que o faz engenhoso, quer sobreviver justamente para narrar sua história. Para dar vida a todos os personagens – índios, espanhóis, cavalos, galinhas, peixinhos, Jesus e Madalena – ele estabelece um pacto de cumplicidade com os espectadores.

Cria com eles um código gestual, mímico e sonoro que substitui paulatinamente a fala. Cada detalhe provoca a lembrança do seguinte, como numa história contada de improviso e pela primeira vez.

A Descoberta das Américas representou o Brasil no FITEI, Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica e antes disso, brilhou no festival MITO, realizado na cidade de Oeiras, onde arrancou aplausos ininterruptos durante 10 minutos. Da cidade lusitana saiu com outro convite para 2010, o festival MindelAct em Cabo Verde.

Segundo Adrião, “ ‘A descoberta das Américas’ me levou a descobrir o Brasil e, mais recentemente, Portugal, abrindo nossas portas para Cabo Verde e Angola fazendo agora o caminho de volta das grandes descobertas”.

Em 2013 entra seu oitavo ano de itinerância voltando a Portugal pela 3ª vez dessa vez com a Mostra de Teatro na Universidade de Coimbra, passando em seguida pela cidade do Porto e Lisboa e no mesmo semestre aportando em Londres no Casa Festival 2012 e Espanha no Festival de Teatro de Ourense- FITO.

Fazendo uma avaliação desse tempo de carreira do espetáculo e da abrangência que alcançamos, concluímos que devemos uma temporada à altura da Capital Paulista por isso decidimos comemorar nosso 8º ano de itinerância com uma belíssima temporada em São Paulo em meados de 2014 dando vazão a uma demanda de solicitações de retorno do espetáculo à cidade!

DEPOIMENTOS 

“Jamais em minha vida vi o clássico e o popular, o épico e o romântico em tão perfeita harmonia como nesse espetáculo”[Fausto Wolff – Jornal do Brasil 05/02/2006] 

“Julio…você é o ator mais despudorado,mais nu, mais liberto de qualquer convenção;dominando músculo,língua, voz, olhos, tudo de uma maneira que não esquecerei.”[Sergio Brito] 

“O trabalho de Júlio Adrião é de primeira ordem, uma obra de ourivesaria em detalhe que preserva a ilusão de improvisação, o fluxo da narrativa dando sempre a ideia de que foi falar de um detalhe que provocou a lembrança do seguinte.” [Bárbara Heliodora – O Globo 27/10/2005] 

“O ator está absoluto em cena…A intensidade que o ator empresta à passagem do tempo e as peripécias do homem revela recursos para atuação consistente.” [Macksen Luiz -Jornal doBrasil 26/10/2005]

CURRÍCULOS

Julio Adrião (1960) é carioca, ator, produtor e diretor teatral. Formado pela CAL em 1986, trabalhou seis anos na Itália com o Teatro Potlach de Fara Sabina e outras companhias. De volta ao Brasil, em 94, dirigiu o espetáculo de circo-teatro Roda saia, gira vida do Teatro de Anônimo – Prêmio Mambembe de melhor espetáculo 1995 – e a Ópera cômica O elixir de amor, de Donizetti, na escola de música da UFRJ, com direção musical de Ernani Aguiar. Integrou o trio cômico Cia. do público desde a sua formação até 2002, quando realizaram Ruzante. Nesta ocasião, criou com Sidnei Cruz e Alessandra Vannucci o núcleo de produção leões de circo pequenos empreendimentos. Em 2005, com o solo narrativo A descoberta das Américas, de Dario Fo e com direção de Alessandra Vannucci ganhou o Prêmio Shell/RJ de melhor ator. Em 2007, participou da Mini-Série Amazônia, da Rede Globo, no papel de Távora – professor de Chico Mendes criança. Em 2008 participou do Filme Verônica, de Maurício Farias, no papel do traficante Rui e, em 2009, foi convidado pela Nat Geo – (Inglaterra) para o papel do traficante John, na série Locked up abroad – Brazil (Férias na prisão). Ainda em 2009, filmou Sudoeste, com direção de Eduardo Nunes, no papel de Sebastião. Em 2010, foi o Governador Gelino, em Tropa de Elite 2 e o Dr. Guido, em A quente, a frio, de Juliana Reis.

Alessandra Vannucci : Dramaturga e diretora formada na Itália, desde 1996 vive entre lá e o Brasil onde fundou o selo Leões de Circo com Júlio Adrião e Sidney Cruz. Seus mestres foram Luca Ronconi, Benno Besson, Augusto Boal, Eugenio Barba, Donato Sartori. Entre os trabalhos no Rio de Janeiro:

Ruzante (2002); A descoberta das Américas de Dario Fo (2005, prêmio Shell para o ator Júlio Adrião), Pocilga (2006), Náufragos (2009), Café de Carlo Goldoni (2010) e Felinda. Na Itália, como dramaturga,assinou as últimas sete peças do Teatro Cargo (Gênova) e foi recentemente indicada ao Premio UBU Melhor Dramaturgia. Como diretora, realizou I Magi (2005, Teatro dell’Opera de Gênova), Arlecchino all’inferno (2007, Bienal de Veneza, Premio Arlecchino d’oro para o ator Enrico Bonavera), Sancio Panza e il cavaliere (2008, Festival Internazionale Castel dei Mondi, com Lello Arena); MakunaimaCattivo selvaggio (2008, MalaFestival – Turim, com Júlio Adrião e imagens concedidas por Sebastião Salgado). Como assessora cultural do Istituto Italiano di Cultura-Rio, realizou os eventos: Acadêmico de academia nenhuma (sobre Giordano Bruno, Teatro Carlos Gomes, 2003); Brasil mediterrâneo (doze clássicos da comédia no Teatro Planetário, 2004); Infinitos universos e mundos (sobre Giordano Bruno e Galileu, Fundação Planetário, 2005); A arte da máscara teatral (Caixa Cultural 2008, com vinda do mestre Sartori e da peça Arlequim no inferno). È ativista de Teatro do Oprimido. Desenvolve projetos de cidadania com não-atores em bairros desfavorecidos, escolas e presídios. Recebeu o Premio de Interações Estética e Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2009/2010 com o projeto Madalena – Teatro das Oprimidas.

Doutora em Letras, è professora de Interpretação e Teoria do Teatro.

Matérias e Críticas do espetáculo:

 http://www.flickr.com/photos/[email protected]/sets/72157629512374791/

Link com trecho do espetáculo:

http://vimeo.com/37993624

Fotos do espetáculo:

 http://www.flickr.com/photos/[email protected]/sets/72157629517233873/

“A Descoberta das Américas no Facebook”: https://www.facebook.com/A.Descoberta.das.Americas.JulioAdriao

 descoberta

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