Capangas incendeiam território da comunidade tradicional de Canabrava, em Minas Gerais

Publicado em: 21/07/2017 às 09:55
Capangas incendeiam território da comunidade tradicional de Canabrava, em Minas Gerais

Comunidade pesqueira e vazanteira de Canabrava, no Norte de Minas Gerais, sofreu ataque na manhã de ontem, 20. Um grupo armado foi até o território, onde várias casas foram queimadas e plantações destruídas. Confira a Nota do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP):

Mais um clamor de justiça está no ar!

Mais violência às famílias da comunidade tradicional pesqueira e vazanteira de Canabrava! Na manhã de ontem, 20/07/2017, por volta das 07h30, o senhor Breno, conhecido como Breninho, da fazenda Canabrava (espólio Breno Gonzaga), chegou à comunidade com um grupo de mais que 12 homens armados, trazendo lamparinas e líquidos inflamáveis e começaram a atear fogo nas casas que restaram da violência policial do último dia 18. Estão destruindo plantações e tudo que encontram pela frente, inclusive às margens do rio São Francisco, um rio federal de competência da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) que já deveria ter iniciado a regularização da área de domínio da União, território tradicional da comunidade pesqueira e vazanteira, conforme numerosas articulações e reuniões sobre o assunto com a Mesa de negociação de conflitos do Estado.

A situação é preocupante, pois os moradores que estavam no local no momento fugiram commedo, mas há comunitários que até agora não se tem notícias do paradeiro.

A Polícia Militar de Pirapora foi acionada, porém, até o momento, não foram ao local nem deram explicações.

A lentidão dos órgãos competentes do Estado, a crueldade e desrespeito do latifúndio são tamanhos que, sequer, considerou a presença de um antropólogo do Ministério Público Federal de Brasília/DF que se encontra no território da comunidade efetivando estudo para fins de regularização, conforme reinvindicações da comunidade desde longa data.

No último dia 18, esta comunidade foi “crucificada” pelos policiais do comando de Pirapora que não aguardou a decisão judicial que suspendeu o despejo que chegou minutos após a derrubada de várias moradias e ter dispersado quase todos os moradores. Agora, os capangas do fazendeiro vieram por conta própria concluir a barbárie.

Solicitamos aos órgãos competentes as providências imediatas!

Conclamamos a toda a sociedade para acender a chama da indignação e entrar em mutirão de luta pela verdade e justiça! Este mundo é suficiente para caber todas as formas de vida existentes nele! Nenhuma autoridade é digna do seu título se este não serve para defender o injustiçado que clama…

Buritizeiro, 20 de julho de 2017

Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP

 

Fonte: CPT Nacional.

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