Brasileiras e argentinas: o abraço feminista do 8M

Foto: Paulo Fortes, para Desacato. info. Intervenção demonstrando o saqueamento do Brasil e da Venezuela/Coletivo feminista classista da Pastoral da Juventude do Meio Popular e Pastoral da Juventude Rural.

Por Claudia Weinman, para Desacato. info.

Neste ano, as mulheres do Extremo-oeste catarinense organizaram-se para as lutas do 8 de março de forma diferente. Reuniram além de Santa Catarina, o estado do Paraná e as mulheres do país irmão, a Argentina, somando mais de 500 nas ruas. A internacionalização ou, a terceira greve internacional no Extremo-oeste foi guiada pela premissa da necessidade, mais que urgente, de integralizar as fronteiras para denunciar as ameaças e ataques imperiais que atingem países inteiros da América Latina, Caribe e em linhas gerais, do mundo todo.

Foto: Paulo Fortes.

A pauta das mulheres remete a defesa da previdência pública e universal, contra a proposta machista e excludente do governo de Jair Bolsonaro, que iguala a idade mínima da aposentadoria para homens e mulheres do campo em 60 anos de idade e tempos de contribuição que em muitos casos, ultrapassam os 40 anos para as trabalhadoras e trabalhadores em geral. No caso das argentinas, faixas com os dizeres: “Fuera FMI”, “Fuera Macri”, a defesa do aborto legalizado e seguro, foram levadas para as ruas.

Além das pautas contra a violência, pela permanência do Consea – Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, contra os crimes ocorridos em razão das privatizações, em especial, ao mais recente crime contra a vida de mais de 400 pessoas mortas em Brumadinho, segundo dados do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e crimes ambientais, contra o ecossistema na totalidade (plantas, rios, animais).

Foto: Paulo Fortes, para Desacato. info. Representação do agronegócio, do latifúndio.

Neste ano, a marcha em Dionísio Cerqueira foi dividida em blocos, cada qual responsável por uma denúncia: Contra a violência, Crimes das privatizações, Vale do Rio Doce, reforma da previdência, contra os agrotóxicos. Durante todo o percurso no centro de Dionísio Cerqueira, foram feitas intervenções, com representações de como o latifúndio, por meio do pacote verde, afeta a vida das camponesas e dos camponeses e de que maneira o veneno afeta a vida das pessoas. Já em janeiro, após Jair Bolsonaro (PSL) assumir a presidência do Brasil, O Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União “O registro de 28 agrotóxicos e princípios ativos liberados. Entre eles um aditivo inédito, o Sulfoxaflor, que já causa polêmica nos Estados Unidos”, segundo dados divulgados pela Agência Pública.

Departamento das mulheres

Foto: Paulo Fortes, para Desacato. info.

Outra denúncia feita em Dionísio Cerqueira tem relação com o fechamento do Departamento das mulheres pela gestão do MDB no município. O departamento atendia mulheres da região integrando as políticas públicas e possibilitando o acesso a essas mulheres.

As mulheres também aproveitaram, demonstrando em um verdadeiro “ABRAÇO*” coletivo, a defesa de países como a Venezuela, que vive sob ataque dos EUA e vem enfrentando sérias ofensivas, inclusive pela divulgação de informações que não condizem com a história, a cultura e o contexto social do país que é um dos 15 principais produtores da matéria -prima (petróleo) do mundo, um dos motivos que o levam a tanta perseguição estadunidense. Bandeiras de integração de povos, como Brasil, Argentina, Venezuela e Palestina foram carregadas durante a mobilização como símbolo de união e solidariedade.

Agora, depois desse dia de luta que também movimentou o debate em forma de seminário sobre a reforma da previdência, as mulheres seguem em jornada rememorando no dia 14 de março, um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco.

Foto: Paulo Fortes, para Desacato. info.

*A palavra “Abraço” vem de uma ideia da nossa diretora geral de Jornalismo, Tali Feld Gleiser, e contemplará mais um episódio da série do Portal Desacato, denominado “Mulheres da Pátria Grande”, que será produzido a partir das filmagens da mobilização em Dionísio Cerqueira, com as mulheres brasileiras e argentinas.

Claudia Weinman é jornalista, diretora regional da Cooperativa Comunicacional Sul no Extremo Oeste de Santa Catarina. Militante do coletivo da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e Pastoral da Juventude Rural (PJR).

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