Brasil, o neovilão

Por Renato Godoy de Toledo.

A Universidade de Kwazulu-Natal, em Durban, recebe a C17, um encontro paralelo à COP 17, no qual movimentos sociais e a sociedade civil apontam suas alternativas aos modelos de desenvolvimento e criticam a atuação da maioria das delegações da cúpula oficial.
O modelo de desenvolvimento brasileiro tem sido lembrado por militantes de movimentos latino-americanos, africanos e europeus. E a avaliação não é positiva. BNDES, Petrobras e Odebrecht são as companhias brasileiras mais mencionadas nas exposições.
Para além das ações dessas empresas, fortes críticas ao projeto de reformulação do Código Florestal, à usina de Belo Monte e à estrada que o BNDES desejava financiar na Bolívia, que implicaria no remanejamento de povos originários.
Chama a atenção a busca de novos mercados, sobretudo do BNDES, que atua também com linha de financiamentos em países africanos. A delegação dos movimentos sociais do Zimbabwe alertou para os impactos dos projetos que o banco subvenciona no país da África subsaariana.
Um projeto de plantação de cana-de-açúcar para produção de etanol tem trazido perdas às comunidades locais, que exigem reparação das empresas. Segundo delegados do Zimbabwe, a ação de canaviais e das empresas de algodão no país têm contribuído para a alteração climática, que pode ser observada com a chegada tardia do período de chuvas na região.
Para a equatoriana Yvonne Yanez, da organização internacional OilWatch, há um novo contexto, gerado pela crise internacional. “Com a crise, há uma nova concentração de poder. E empresas brasileiras como a Petrobras, o BNDES e a Odebrecht tornaram-se novas indústrias imperialistas o na América Latina”, aponta.
Em Durban, o principal reflexo da visão crítica em relação ao Brasil por parte do movimento ambientalista internacional foi o “prêmio” Fóssil do Dia, que o país recebeu no dia 2 de dezembro. A premiação, que existe desde 1999, é feita pela ONG ClimateChange Network (CAN) e é destinada aos países que degradam o meio ambiente. O principal motivo para a CAN escolher o Brasil foi a aprovação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados.

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