Artistas e Coletivos mobilizados contra os ataques à Lei de Fomento

A Prefeitura de São Paulo e a Secretaria de Cultura, comandada por André Sturm, recentemente emitiu um parecer que altera a interpretação da Lei de Fomento, criada há mais de 15 anos e fruto de intensa luta e mobilização dos grupos de teatro de São Paulo. Tal parecer faz parte do pacote de ataques, cortes e sucateamento que vem acontecendo e se aprofundando cada vez mais. Dessa vez, a eleição da comissão julgadora que será comprometida.

Para clarificar o novo ataque de Sturm e sua turma é preciso compreender como funciona a comissão julgadora do Fomento: Parte dela, 3 de 7 membros, é eleita por voto popular. A partir desse novo parecer da prefeitura, caberá somente um voto por CNPJ proponente. O que acontece é que a grande maioria dos grupos , aproximadamente 4 mil artistas, é representada pela Cooperativa Paulista de Teatro e utiliza seu CNPJ.

Com essa medida que verticalmente a prefeitura tenta nos empurrar goela abaixo, todos os coletivos cooperativados terão direito a apenas um voto na escolha da comissão. Esse absurdo é mais um reflexo de como a cultura é encarada como mais uma mercadoria na prateleira da indústria cultural: são priorizadas mais uma vez as produções que estão de acordo com a lógica burguesa de que arte é mercadoria e que deve estar pronta pra consumo e para gerar mais lucro de grandes empresas e da indústria de entretenimento.

O desmonte da cultura , corte e sucateamento de programas culturais da cidade já deixaram claro ao que veio esta gestão e a serviço de quem se encontra . Degenerando totalmente programas como o Fomento à Dança, Piá, Vocacional e VAI, relega sobretudo às periferias a invisibilidade e a falta de acesso à arte e à cultura como direitos e não privilégios que há décadas vem sendo o centro da luta e do esforço de artistas e coletivos que veem na arte anticapitalista a forma de diálogo mais concreta com o povo pobre, jovens , crianças e trabalhadores.

Agora a Cooperativa Paulista toma a frente de uma campanha que busca mobilizar a categoria para não permitir mais esse brutal ataque. Em protesto na última terça feira , os artistas foram recebidos com extrema truculência e foram reprimidos , tendo relatos de que alguns inclusive saíram feridos.

Hoje novamente se reunirão em protesto na Galeria Olido, para assegurar que se cumpra o direito de que os núcleos artísticos cooperativados votem com independência também nessa edição do edital .

É preciso também que o SATED cumpra o papel de mobilizar toda a categoria e demais setores para que não fiquemos mais somente reagindo aos ferozes e incansáveis ataques de Sturm e sua corja , mas que nos coloquemos como protagonistas das lutas concretas da classe trabalhadora .Além disso, cabe aos coletivos e a própria Cooperativa compreender que nossa luta precisa e deve ser mais profunda , contra os ataques sim dessa gestão mas sobretudo, contra os ataques de Temer e dos golpistas. Portanto, devemos lutar junto com a classe trabalhadora para derrubar de vez esse sistema de opressão e exploração. Somente assim a arte será livre e poderemos por fim construir as bases de uma nova sociedade .

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