Apenas o socialismo pode dar conta da nova realidade social

Foto: www.bestpricetravel.com

Por Douglas F. Kovaleski para Desacato. info.

A atual pandemia evidencia a insustentabilidade da sociedade regida pelo capitalismo. Em seu período financeiro com marcada concentração de riquezas, a vida de muitas pessoas tornou-se dispensável. Diante das necessidades de isolamento social, manutenção da renda, dos empregos e da estrutura de bem-estar social, é necessário um grande investimento.

Mas apenas a ação estatal precisa dar conta dessas necessidades? Apenas o Estado tem o compromisso legal, institucional, humano e político de manter as estruturas da sociedade. A iniciativa privada tem finalidade privada e compromisso com os lucros. Não estou aqui a descartar iniciativas de empresas ou a menosprezar os esforços individuais e voluntários. Quero apenas defender a necessidade de uma infraestrutura de saúde pública internacional ampla e com grande aporte de recursos e investimentos para dar conta dessa e outras possíveis epidemias e que isso apenas será possível acontecer sob o socialismo.

A não intervenção do estatal deve ser logo afastada, pois as desigualdades sociais se agudizam de maneira acelerada sob a pandemia e mais ainda sob a concomitante crise estrutural do capitalismo. Há uma clara divisão de classes, enquanto uma parcela da população, coberta por plano privado de saúde, confortavelmente isolada em suas casas aquecidas continua trabalhando de casa, outros milhões de trabalhadores de baixos salários, trabalhadores rurais, desempregados e sem teto estão sem nenhuma segurança social.

Dessa forma, a pandemia está sendo extremamente didática, pois os países em que há uma maior estrutura estatal nas políticas sociais, especialmente os socialistas, estão se saindo melhor com relação à contenção da pandemia. China, Cuba e Vietnã são exemplos de países  bem sucedidos nessa primeira onda. Nas próximas semanas vou sistematizar mais exemplos.

Há duas situações que mesmo os países ricos, com capitalismo regido pelo estado de bem-estar social não podem dar conta do recado nesse próximo período. Em primeiro lugar, há que se olhar para os frágeis laços de solidariedade e coesão social que o capitalismo produziu. De fato, é difícil que as pessoas imersas em sistemas concorrenciais e de produtivismo arraigado de uma hora para a outra se transformem em criaturas solidárias e voltadas para o bem comum. Como fazer isso se até então foram adestradas a olhar para o próprio umbigo? Outro aspecto remete à necessidade de Estados muito fortes do ponto de vista econômico, pois vai ter que arcar com grandes despesas em saúde; político, aqui o político refere-se à direção política em prol do bem comum, sem jogos de interesses sustentados por grupos econômicos, essa direção clara seria capaz de criar confiança entre as pessoas e destas com os governos e coesão social, onde as normas sociais seriam seguidas e estimuladas pelas pessoas. Os Estados capitalistas atuais nem podem prover o aporte de recursos necessários do ponto de vista da saúde nem a coesão social necessária, pois está loteado por grupos da burguesia.

Continuando as previsões catastróficas, é necessário perceber que a crise ambiental que vivemos, que teve o coronavírus como ator nesse episódio da história humana, é apenas o início de grandes desastres que já acontecem com o aquecimento global e vão desde tornados, secas, enchentes, elevação dos oceanos, entre tantas outras situações. E sabemos que as empresas não vão socorrer as pessoas quando essas necessidades emergirem. Por isso, afirmo novamente que não há outra saída humanamente viável para a humanidade neste momento histórico que não seja o socialismo.

Douglas Francisco Kovaleski é professor da Universidade Federal de Santa Catarina na área de Saúde Coletiva e militante dos movimentos sociais.

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