Ameaça à vida

Publicado em: 08/06/2011 às 12:00
Ameaça à vida

Por Koldo Campos Sagaseta.

Português/Español.

Antes foi o pepino, agora é a soja, amanhã poderia ser a berinjela. Declaram os “experts” e garante a mídia que “se aponta a soja como origem do brote de E. coli”.

Nem sequer lhe cabe a plavra suspeito. Se os sisudos magistrados não encontram indícios suficientes na alface o resulta verdadeira o álibi do tomate, tudo aponta a que a origem, para não falar em culpa, é da soja.

A natureza não dá trégua e persiste na sua desumana campanha por contradizer o nosso progresso.

As vacas decidiram nos contagiar a sua loucura, as aves nos infectarem a sua gripe e, como parte que são desse contubérnio animal que rejeita nosso desenvolvimento, nos chegou também a febre aftosa quando os ovinos se somaram à agressão. Os porcos não demoraram a acrescentar a ração a seu suíno inventário de agravos com que desculpar ameaças e estragos, enquanto os frangos contribuíam com hormônios ao caos alimentício, confabulados todos no único e arteiro propósito de nos desmentir, de desautorizar o nosso estilo de vida.

E os produtos do campo e os animais contam com aliados naturais nessa agressão desatada contra o nosso progresso.

Incontroladas, as maléficas forças da natureza envenenam a terra, contaminam o ar, aumenta o aquecimento do planeta…

Rios inescrupulosos decidem um mau dia retomar seu antigo caminho, seu curso natural, e levar pela frente vidas e moradias; morros sem-vergonha optam, de repente, por desabar, com o pretexto de ter sido furados, sepultando pessoas e bens… Terremotos, tsunamis, inundações, tornados… A natureza ameaça a vida humana.

E como se não bastasse com a sua desoladora violência, têm como cúmplices uns quantos depravados, supostos racionais, que enquanto seguem sem condenar a loucura das vacas, repudiam a cordura do mercado; que ao mesmo tempo em que defendem a gripe das aves, rejeitam a saúde do negócio; que justificam, até as medusas por assassinas e os mexilhões por emigrantes e que, sobre todo, insistem em assinalar o nosso idílico modelo de desenvolvimento como origem, única origem, de todas as desgraças.

Versão em português: Tali Feld Gleiser.

 

Amenaza a la vida

Antes fue el pepino, ahora es la soja, mañana podría ser la berenjena. Declaran los expertos y aseguran los medios que “se apunta a la soja como origen del brote de E.coli”.

Ni siquiera le cabe el presunto. Si los sesudos magistrados no encuentran indicios suficientes en la lechuga o resulta cierta la coartada del tomate, todo apunta a que el origen, para no hablar de la culpa, es de la soja.

La naturaleza no da tregua y persiste en su inhumana campaña por contradecir nuestro progreso.

Las vacas decidieron contagiarnos su locura, las aves infectarnos su gripe y, como parte que son de ese contubernio animal que rechaza nuestro desarrollo, nos llegó también la fiebre aftosa cuando los ovinos se sumaron a la agresión. Los cerdos no tardaron en agregar los piensos a su porcino inventario de agravios con que disculpar amenazas y estragos, mientras los pollos aportaban sus hormonas al caos alimenticio, confabulados todos en el único y artero propósito de desmentirnos, de desautorizar nuestro estilo de vida.

Y los productos del campo y los animales cuentan con aliados naturales en esa agresión desatada contra nuestro progreso.

Incontroladas, las maléficas fuerzas de la naturaleza envenenan la tierra, contaminan el aire, aumentan el calentamiento del planeta…

Ríos desaprensivos deciden un mal día retomar su viejo camino, su curso natural, y llevarse por delante vidas y viviendas; montes desvergonzados optan, de repente, por derrumbarse, so pretexto de haber sido horadados, sepultando personas y bienes… Terremotos, tsunamis, inundaciones, tornados… La naturaleza amenaza la vida humana.

Y por si no bastara con su desoladora violencia, tienen como cómplices a unos cuantos depravados, supuestos racionales, que mientras siguen sin condenar la locura de las vacas, repudian la cordura del mercado; que al tiempo que defienden la gripe de las aves, rechazan la salud del negocio; que justifican, incluso, a la medusas por asesinas y a los mejillones por emigrantes y que, sobre todo, insisten en señalar a nuestro idílico modelo de desarrollo como origen, único origen, de todas las desgracias.

 

 

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