A presidência do México deve ser ocupada por uma mulher do povo

2017-06-08 09:46

mexico-candidata

Por Ana Rosa Moreno, Puebla, México, para Desacato.info.

Tradução: Elissandro dos Santos Santana.

Falta pouco para o início de uma das batalhas mais sangrentas que pode ocorrer em nosso país e não estou falando especificamente da guerra contra o narcotráfico – em seis meses, teremos a disputa pela cadeira presidencial.

Ser presidente de nosso lindo país é uma façanha porque não somente se trata de fazer bonito nas fotos em cada ato presidencial ou evento. Trata-se de segurar as rédeas de um país, nosso trem da democracia que mais que descarrilado está por cair no precipício.

Este ano, ao que tudo indica, temos uma nova e promissora candidata, para deixar de votar pelo menos ruim e eleger a quem, de fato, nos representará e administrará de maneira responsável os recursos mexicanos. Falemos de Marichuy, a candidata escolhida pelo Conselho Indígena de Governo (CIG), no dia 28 de maio do corrente ano.

Desde o dia 30 de dezembro do ano passado, os povos originários do México se reuniram em San Cristóbal de las Casas e em Oventic, onde, principalmente, decidiu-se por criar estratégias financeiras e comunicação nacional, além de formar comitês comunais, regionais e estatais.

Em abril de 2017, o Conselho Nacional Indígena informou sobre a convocatória para participar da Assembleia Constitutiva do Conselho Indígena de Governo em que escolheriam a representante do Conselho que participará como candidata independente nas próximas eleições para a presidência da República em 2018. Foram convocadas “autoridades, representantes, delegados e conselheiros nomeados pelos povos, nações, tribos, bairros, comunidades e organizações indígenas”.

No dia 27 de maio de 2017, os delegados do Conselho Nacional Indígena (CNI) provenientes de cada uma das regiões da República foram a San Cristóbal de las Casas, Chiapas, para participarem da Assembleia que formou o Conselho Indígena de Governo (CIG) e se concentraram nas instalações do Cideci-Unitierra.

“Não nos confundam, não pretendemos concorrer com eles (os partidos políticos) porque não somos a mesma coisa (…) É o tempo dos povos indígenas de passar à ofensiva”, disseram os delegados do CNI.

O Conselho Indígena de Governo se integrou com “dois conselheiros, homem e mulher, por cada uma das regiões indígenas participantes no Congresso Nacional indígena (CNI)”.  Os conselheiros foram nomeados por consenso e na Assembleia de acordo com os usos e costumes de cada povo. Participaram 58 povos originários de 523 comunidades, de 25 estados.

Para ser conselheiro se requer “pertencer e permanecer no CNI, praticar os sete princípios do CNI*, pertencer a um povo originário, conhecer a história e a cultura de seu povo, ter reconhecimento e autoridade moral na comunidade, ser proposto, nomeado e legitimado na Assembleia ou no órgão de decisão de seus povos conforme os usos e costumes e haver acompanhado a seus povos em luta com uma trajetória de luta congruente, que conheça como trabalhar a terra, que seja humilde, que escute e que sirva a seus povos e que conheça o caminhar do CNI, ser anticapitalista de baixo e à esquerda”.

No dia 28 de maio, a assembleia constitutiva do Conselho Indígena de Governo do Congresso Nacional Indígena determinou, por acordo em Assembleia Geral, nomear como representante para as eleições federais do próximo ano a companheira do povo Náhuatl, María de Jesús Patricio Martínez, conhecida por Marichuy.

“Nenhuma delimitação de nossos povos, nenhuma determinação nem exercício de autonomia, nenhuma esperança tornada realidade fez-se aos tempos e formas eleitorais a que os poderosos chamam de democracia, pelo que somente pretendemos arrancar o destino que nos tiraram e desgraçaram; pretendemos desmontar esse poder podre que está matando a nossos povos e à Mãe Terra”, declarou a representante do conselho em construção.

Marichuy tem 53 anos e trabalha como médica tradicional no estado de Jalisco e buscará um local na cédula com uma candidatura independente apoiada pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN).

Marichuy é uma defensora da medicina tradicional e seu amor pela medicina nasceu em decorrência da situação em que viveu quando criança, ao ver que sua família era capaz de curar os doentes de susto, espanto, aduendado, bile, fraqueza ou Canicula. Atualmente, gere a casa de saúde Calli tecolhuacateca tochan, lugar para o exercício e desenvolvimento da medicina indígena tradicional da comunidade nahua de Tuxpan no estado de Jalisco.

Agora, o próximo passo é o registro em agosto como candidata independente. Caso consiga se candidatar, será a sexta mulher em concorrer a uma eleição para a Presidência da República.  A primeira a candidatar-se foi a ativista Rosario Ibarra de Piedra, que tentou duas vezes, em 1982 e 1988, pelo Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PTR). Nas eleições de 1994 se candidataram Cecilia Soto, do Partido do Trabalho (PT), e Marcela Lombardo Otero, do Partido Popular Socialista (PPS). Em 2006, Patricia Mercado se lançou pelo Partido Alternativa Socialdemocrata e Camponesa. Em 2012, Josefina Vázquez Mota se candidatou pelo PAN.

Atualmente, o que faz a diferença é que Marichuy vem do povo, conhece as dificuldades desse povo Náhuatl oprimido e discriminado pela sociedade mexicana e pelo governo. De coração, espero este registro de candidatura, pois já é hora de pôr de lado os mesmos partidos políticos que só procuram permanecer no poder para seguirem lucrando com dinheiro extraído de nossos bolsos, é hora de deixar pra lá os políticos que somente servem para as grandes elites capitalistas. Merecemos que o cargo de presidente seja ocupado por uma mulher do povo e para o povo.

* Os sete princípios do CNI: vão de servir a não ser servido, construir e não destruir, obedecer e não mandar, propor e não impor, convencer e não convencer, baixar e não levantar, unir e não separar.


La próxima presidenta de México debe ser mujer y del pueblo

Por Ana Rosa Moreno, Puebla, México, para Desacato.info.

Estamos a casi nada de que inicie una de las batallas más sangrientas que se puede dar en nuestro país y no precisamente estoy hablando de la guerra contra el narco. En seis meses se viene la carrera  por alcanzar y poder sentarse en la silla presidencial.

Ser presidente de nuestro hermoso país es una hazaña porque no solo se trata de salir bonito o bonita en las fotografías en cada acto presidencial o evento. Se trata de llevar las riendas de un país, nuestro tren de la democracia que más que descarrilado esta por caer al precipicio.

Pero este año, al parecer, tenemos una nueva y prometedora candidata, para dejar de votar por el menos peor y elegir a quien en verdad nos representará y administrara de manera responsable los recursos de nuestro país. Hablemos de Marichuy, la candidata elegida por el Consejo Indígena de Gobierno (CIG), el pasado 28 de mayo.

Desde el 30 de diciembre, los grupos originarios del país se reunieron en San Cristóbal de las Casas y Oventic, donde principalmente se acordó crear estrategias de finanzas y comunicación nacional, además de formar comisiones comunales, regionales y estatales.

En abril del 2017, el Consejo Nacional Indígena informó sobre la convocatoria para  participar en la Asamblea Constitutiva del Concejo Indígena de Gobierno donde elegirían a la vocera del Concejo que participará como candidata independiente en las próximas elecciones a la presidencia de la república en el 2018.  Se convocó a “autoridades, representantes, delegados y concejales nombrados por los pueblos, naciones, tribus, barrios, comunidades y organizaciones indígenas”

El 27 de mayo de 2017 los delegados del Congreso Nacional Indígena (CNI) provenientes de cada una de las regiones de la republica arribaron a San Cristóbal de las Casas, Chiapas para participar en la asamblea que conformo el Consejo Indígena de Gobierno (CIG) y se concentraron en las instalaciones del Cideci-Unitierra.

“No nos confundan, no pretendemos competir con ellos (los partidos políticos) porque no somos lo mismo (…) Es momento de los pueblos indígenas, de pasar a la ofensiva”, dijeron los delegados del CNI.

El Consejo Indígena de Gobierno  se integró con “dos concejales, hombre y mujer, por cada una de las regiones indígenas participantes en el Congreso Nacional Indígena (CNI)”.  Los  concejales fueron nombrados por consenso y en asamblea de acuerdo a los usos y costumbres de cada pueblo. Participan 58 pueblos originarios de 523 comunidades, de 25 estados.

Para ser concejales se requiere “tener pertenencia y permanencia en el CNI, practicar los siete principios del CNI*, pertenecer a un pueblo originario, conocer la historia y la cultura de su pueblo y tener reconocimiento y autoridad moral en su comunidad, ser propuestos, nombrados y legitimados en Asamblea o en la instancia de decisión de sus pueblos según sus usos y costumbres, haber acompañado a sus pueblos en su lucha y tener una trayectoria de lucha congruente, que conozcan cómo trabajar la tierra, que sean humildes, que escuchen y que sirvan a sus pueblos y que conozcan el caminar del CNI, y ser anticapitalista de abajo y a la izquierda”.

El 28 de mayo, la asamblea constitutiva del Concejo Indígena de Gobierno del Congreso Nacional Indígena determinó por acuerdo en  Asamblea General, nombrar como vocera y  representante para las elecciones federales del próximo año a la compañera del pueblo Náhuatl María de Jesús Patricio Martínez, conocida como Marichuy.

“Ninguna delimitación de nuestros pueblos, ninguna determinación ni ejercicio de autonomía, ninguna esperanza hecha realidad ha respondido a los tiempos y formas electoreras que los poderosos llaman democracia, por lo que sólo pretendemos arrebatarles el destino que nos han quitado y desgraciado; pretendemos desmontar ese poder podrido que está matando a nuestros pueblos y la madre tierra”, manifestó la representante del concejo en el nombramiento.

Marichuy tiene 53 años y trabaja como médico tradicional en el estado de Jalisco y ella buscará un lugar en la boleta electoral con una candidatura independiente respaldada por el Ejército Zapatista de Liberación Nacional (EZLN).

Marichuy es una defensora de la medicina tradicional, su amor por la medicina nació de la situación que vivió de niña cuando veía que su familia era capaz de curar a los enfermos de susto, espanto, aduendado, bilis, debilidad o canícula. Actualmente dirige la Casa de Salud Calli tecolhuacateca tochan, lugar para el ejercicio y desarrollo de la medicina indígena tradicional de la comunidad nahua de Tuxpan en el estado de Jalisco.

Ahora su siguiente paso es su registro en agosto como aspirante independiente. De conseguir la candidatura será la sexta mujer en contender una elección para la presidencia federal. La primera en registrarse fue la activista Rosario Ibarra de Piedra que lo intentó dos veces en 1982 y 1988, por el Partido Revolucionario de los Trabajadores (PTR). En las elecciones de 1994 se registraron Cecilia Soto, del Partido del Trabajo (PT), y Marcela Lombardo Otero, del Partido Popular Socialista (PPS). En el 2006, Patricia Mercado se lanzó por el Partido Alternativa Socialdemócrata y Campesina. Y en 2012, Josefina Vázquez Mota se postuló por el PAN.

Lo que hace la diferencia ahora es que Marichuy viene del pueblo, conoce los obstáculos de ser de un pueblo que ha sido marginado y discriminado por la sociedad mexicana y por el gobierno. De corazón, espero este registro de candidatura, ya es hora de dejar a un lado los mismos partidos políticos que solo buscan mantener su registro para seguir recibiendo dinero que es extraído de nuestros bolsillos, de hacer a un lado a políticos que solo sirven para las grandes elites capitalistas. Merecemos que el cargo de presidente lo ocupe una mujer del pueblo y para el pueblo.

* Los siete principios del CNI: van de servir a no servirse, construir y no destruir, obedecer y no mandar, proponer y no imponer, convencer y no vencer, bajar y no subir y enlazar y no asilar.

Foto: Stringer / Reuters

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