A odisséia de ser uma mulher

Publicado em: 15/12/2011 às 17:44
A odisséia de ser uma mulher

 Por Livia Monte.

Tenho certeza que no Paraíso jamais Eva pensou que teria que pagar tão caro por uma costela. É claro que foi ela quem deu a maçã da sabedoria para Adão, mas não foi ele que comeu com a própria boca?

Bom isso pouco importa, o fato é que ela condenou todas as mulheres a serem responsáveis pelos monstros dos homens. Por exemplo, se ele te estupra  ou te bate, você é a culpada, afinal, foi você quem provocou!

É caro leitor, não é fácil ser uma mulher na sociedade ocidental, permita-me compartilhar com você  um pouco da minha própria história.

Foi realmente na puberdade que eu entendi que as diferenças de gênero eram profundas. Enquanto meus amigos homens eram levados a prostíbulos, eu era levada a ginecologistas e ensinada a esperar que um dia um príncipe encantado tirasse a minha virgindade. Obvio que enquanto isso, o meu caráter e honra se resumiam a um pedaço minúsculo de pele nas minhas partes baixas.

Bom demorou um pouco, mas graças a mim, cansei de esperar pelo enfadonho e chato príncipe e enquanto me divertia com homens reais me deparei com uma terrível dialética, como mulher eu só podia desempenhar dois papéis: santa ou puta.

Sendo santa  estaria fadada a não poder assumir desejos, a não ter direito a  vontades. Sendo puta eu teria que estar disposta a conviver com o desrespeito.

Confusa, resolvi  buscar dicas de como conquistar um homem em definitivo e encontrei algumas bobagens como:

1)      Não critique os homens.

2)      Não transe na primeira vez.

3)      Não cobre o homem, nem de forma direta e indireta.

4)      Se vista sempre bem de uma forma apropriada e sensual, evite decotes profundos e roupas muito curtas.

5)      Demonstre sua inteligência, sem deixar o homem constrangido.

Mas a campeã de todas as dicas ridículas talvez seja aquela velha conhecida de toda mulher e que rompe com a dialética da santa e da puta: “Seja uma dama em público e uma vadia em particular”!

Claro! Por que não criar um transtorno de múltiplas personalidades para se enquadrar nos padrões e finalmente ser aceita?

Enfim ser a mulher ideal significa ser submissa, não ter vontade própria e acima de tudo ser responsável por todos os deslizes dos homens. Cá entre nós, ter que deixar de ser, em troca de uma costela que permite uma parca existência não me parece lá uma troca muito justa.

Para terminar este texto gostaria de  assumir o meu principal desejo:

Não quero ser apenas enfeite do ser de um homem!

 

Imagem: http://desafioscristao.blogspot.com/2011/02/adao-e-eva-foram-pessoas-reais-ou.html

4 Comentários para "A odisséia de ser uma mulher"

  1. Maria del Carmen Taboro   26/05/2012 at 08:00

    Por isso eu digo: eu vou festejar o dia da mulher só quando o homem também tiver o seu dia …(hehehe não quero ser egoista)

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  2. Robin   16/12/2011 at 06:18

    E os novos homens, poucos ainda, q têm nascido com as novas mulheres, não querem as mulheres como enfeites, a inteligência de vcs não nos agride ou constrange e sim a falta dela, nem a independência, nem os desejos…

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    • Yuri   16/12/2011 at 14:54

      Amém!

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  3. May Garcia   15/12/2011 at 18:26

    Perfeito!

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