A Ocupação e o sangue em luta

A Ocupação e o sangue em luta

Por Priscilla Britto, para Desacato.info.

Desde terça-feira no inicio da noite, a UDESC permanece ocupada por estudantes que são contrários a PEC 241 e outras reivindicações internas. Mas, além disso, a ocupação tem ensinado nesses dias para os que lá estão, uma outra coisa muito importante chamada: Companheirismo.

Nos últimos dias, estive em contato total com os estudantes e passei com eles todos os perrengues possíveis. Recebi a carta de reintegração de posse em menos de 12 horas de ocupação com eles, sofri a falta de diálogo com a reitoria, permaneci acordada quase 30 horas em alerta, com medo de que a polícia entrasse a qualquer momento para nos retirar da ocupação e, o mais magnífico nisso tudo, foi ver que a maioria das pessoas não se conheciam, mas que se protegeriam de qualquer coisa que acontecesse ali. Se defenderiam e, como eles mesmo falaram varias vezes,“Ninguém vai ficar para trás”.

Muito além de lutar contra a PEC 241, a ocupação da UDESC assim como todas as outras ocupações ao longo do país, tem ensinado muitas coisas às pessoas que tentam levar ela a frente. É um verdadeiro ‘viver em sociedade’. É você não ter um colchão para dormir e saber que você pode dormir do lado de um estudante que não conhece e ele cederá o cobertor para você, é você estar com uma roupa molhada e uma pessoa lhe emprestar uma roupa, colocar suas coisas num canto e se sentir seguro de que nada acontecerá a elas, por que apesar de você não conhecer aquelas pessoas você sabe que pode confiar nelas.

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Viver numa ocupação é viver extremos. Quando vejo reportagens de jornais sensacionalistas acusando os estudantes de vagabundos e agitadores profissionais, me aproprio das palavras da jovem Ana Júlia, que esta semana brilhou em todas as redes sociais e me pergunto: Será que essa pessoa já passou uma noite em uma ocupação? Por que eu, tendo o poder da fala por ter passado longos momentos no meio daquelas pessoas, posso dizer que não. O cansaço não é só físico, é muito mais psicológico e a tristeza se torna profunda quando percebemos que estamos lutando por algo que temos consciência de que está certo e uma mídia tenta de todas as formas manipular e criminalizar as pessoas que ali se encontram, lutando por algo que toda a sociedade deveria estar posicionada para defender: O direito de que todos tenham acesso a educação e mais do que isso, o direito de ter uma educação digna e de qualidade para todos e todas.

A Ocupação da UDESC tem me mostrado o real significado da palavra resistência e solidariedade. Uma grande família de luta se formou e com toda a sua vontade de lutar pelo mesmo ideal. Com certeza as paredes da reitoria da Universidade irão registrar momentos históricos e belíssimos de luta, companheirismo, amizade e amor ao próximo. Nenhuma mídia irá nos derrubar, nos desestabilizar e nos fragilizar. Seguimos juntos e permaneceremos juntos até o fim, até a PEC cair e até Michel Temer estar fora do governo.

A menção que aparece na foto é a Lucas Eduardo Mota é o garoto que foi assassinado na ocupação do Paraná e ele está presente na nossa ocupação.

Fotos e vídeo: Priscilla Britto, para Desacato.info.

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