A necessária reforma política

plebiscitoPor Thiago Burckhart.

Entre os dias 1º a 7 de setembro foi realizado o plebiscito popular pela Constituinte da reforma política no país. Somente pela internet, foram mais de 1,7 milhões de votos em prol da proposta de fortalecimento da democracia brasileira. Esse movimento, que já há meses se articulava na organização do Plebiscito deu seu primeiro passo na direção dessa necessária reforma, que permeia a discussão de diversos pontos-chave no sistema político brasileiro, como: financiamento eleitoral e partidário, filiação partidária, voto facultativo, fidelidade partidária, reeleição e mandato, candidatura avulsa, entre outros.

Apesar da grande participação popular e do debate realizado por esse movimento, durante o período de realização do Plebiscito foi possível de se notar o grande silêncio dos grandes meios de comunicação sobre o tema. A divulgação do Plebiscito foi possível pela internet e pela pequena parcela dos meios de comunicações televisivos e informativos comprometidos com a real mudança no sistema político, que ainda são minoria frente ao oligopólio das grandes empresas que controlam a informação no país.

O que é evidente, nesse sentido, é que grande parte da população nem mesmo soube da realização do Plebiscito, justamente pela falta de espaço que os movimentos progressistas encontram no grande oligopólio midiático, o que deturpa consideravelmente a saúde da democracia brasileira. Nesse sentido, uma Constituinte sobre a reforma do Sistema Político seria a mãe de todas as outras reformas nas instituições do país, e trará à tona a também necessária democratização dos meios de comunicação, de modo que impeça que pequenos grupos e famílias tenham o monopólio da informação.

Como trata-se de um primeiro passo, a reforma política no Brasil ainda necessita ser discutida e trazida ao debate à sociedade, esse momento é de pressão popular já que o Plebiscito não possui poder vinculante. O momento em que vivemos é propício para tornar esse debate público, pois estamos a passar por um processo de campanha política e eleições que se mostra, a grosso modo, deteriorado e aniquilado, vendido às grandes empresas, seqüestrado pelo poder econômico e pelos interesses do capital. Há que se ter em mente que esse processo é contrário aos interesses mais reacionários, conservadores e retrógradas da sociedade brasileira, que vêem a participação social como uma ameaça à sua perpetuação no poder. Contudo, a reforma política se impõe hoje como enfrentamento às grandes elites políticas e econômicas desse país, estabelecendo uma nova ordem verdadeiramente democrática e participativa, já que o modelo atual mostra-se inviável.

Thiago Burckhart é estudante de Direito.

Imagem: sintpq.org.br

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