A guerra da Internet

Publicado em: 05/02/2011 às 18:20
A guerra da Internet


Por Fausto Brignol.

Está sendo usado um termo – feminazi – para aquelas feministas mais arraigadas, que chegam ao extremo de não gostar dos homens. Um termo que nasceu nos Estados Unidos e que, agora, com a eleição de Dilma, no Brasil, e devido a uma ou duas declarações dela, que puderam ser mais ou menos inteligíveis, fez com que a ala das dilmetes atacasse um ser humano do sexo masculino, chamado André, que ousou postar um texto no blog do Nassif, onde externava a opinião de que Dilma poderia escorregar para tendências feminazis caso continuasse a olhar o Brasil e o mundo somente de um ponto de vista feminino.

Pra quê! As dilmetes caíram de pau em cima do André. O texto referido era sobre uma entrevista de Dilma onde ela se dizia muito preocupada com o talvez futuro apedrejamento da Sakineh, lá no Irã. O que André escreveu tinha a ver com o fato de Dilma não revelar também preocupação com os homens que estão condenados à morte não só no Irã, mas em muitos lugares deste vasto mundo.

Naquela entrevista, Dilma estava sinalizando o seu apoio aos Estados Unidos contra o Irã. Dizendo, nas entrelinhas, que o Lula até poderia ter ido visitar o presidente do Irã e tirar fotos com ele, mas que ela é a nova presidente e adora a amizade de Hillary Clinton. Mudança de política? Não, apenas mudança de personagem. O Brasil do PT já apóia os Estados Unidos desde criancinha.

O caso Sakineh caiu como uma luva para os Estados Unidos e seus comparsas. Quando a munição contra o Irã estava acabando alguém descobriu que uma mulher condenada por adultério e conspiração pelo assassinato do marido seria apedrejada até a morte. No Irã! E mulher! Melhor do que isso só outro isso.

A lapidação, ou morte por apedrejamento, é prevista no Deuteronômio, um dos cinco livros atribuídos a Moisés. Uma lei antiqüíssima da época do Velho Testamento que, se vê agora, não é aplicada somente em Israel, mas em boa parte do Oriente Médio, incluindo o Irã.

A não ser que Israel não siga mais as leis inclusas no Velho Testamento, o que não é improvável.

Também não é improvável que o Velho Testamento dos judeus tenha sido escrito na época do cativeiro da Babilônia e depois atribuído a uma época bem mais antiga. Neste caso, toda a história antiga do que teria sido Judá e Israel não passaria de uma invenção. Ou quase isso.

Arqueólogos israelenses desde o início do século tem aventado essa possibilidade. Em suas pesquisas de campo não encontraram nenhum indício da existência do proclamado reino de Israel. Tampouco teria havido o Êxodo. Os judeus teriam sido apenas uma nação comum entre todas as nações do Oriente Médio.

E ao escreverem a sua Bíblia, ou Velho Testamento, enquanto estiveram cativos na Babilônia durante cerca de setenta anos – o que foi chamado de primeira diáspora dos judeus – acrescentaram leis (no Deuteronômio, que é o livro das leis) que eram comuns a todos os povos daquela região, incluindo a lapidação de prostitutas e adúlteras.

Talvez o caso de Sakineh ajude a levantar esse véu obscuro sobre a verdadeira origem dos judeus – mesmo Sakineh sendo iraniana.

Sabe-se que Israel, atualmente, possui uma constituição considerada moderna, aos moldes dos Estados Unidos. Ou seja, aquela antiga constituição que lhes teria sido outorgada por Javé – o deus dos judeus – foi repudiada. Entre outras coisas, bois e ovelhas não são mais sacrificados no Templo, em determinadas datas. Mesmo, porque o Templo não mais existe desde a época dos romanos. E outras leis, como essa sobre a lapidação de prostitutas e adúlteras, não seriam mais seguidas. Ou seja, os judeus do moderno estado de Israel não seguem mais as leis que o seu próprio deus lhes deu, que seriam leis santificadas.

No entanto, contraditoriamente, os judeus reclamam como seu o território que o seu deus lhes teria dado no mesmo Velho Testamento. E sob essa alegação, expulsam e matam palestinos.

Quanto à Dilma, ela, no máximo, posa de feminista para continuar com os votos das que se consideram feministas. Não me parece que Dilma tenha qualquer tipo de idéia ou ideologia. Ela segue o Partido.

Feminismo é uma expressão forjada pelo mundo capitalista por pessoas de mentalidade capitalista. Por pessoas que não contestam o sistema como um todo, mas o dividem e o compartimentam. Geralmente, pessoas que são incitadas a competir e a considerar o homem como o grande vilão da História. Mas não vão mais fundo que isso.

Não perceberam que estão sendo usadas por uma sociedade competitiva e injusta para expandir o mercado de trabalho, aumentar o consumismo e passar uma visão estereotipada do que deva ser uma sociedade formada por seres humanos.

Nas sociedades socialistas não existem feministas ou machistas. Existem companheiros na mesma luta; a luta por tornar melhor as condições sociais para todos.

O texto do André abriu uma importante discussão, principalmente no sentido de frear essa tentativa de divisão por sexos que começa a acontecer na sociedade brasileira, principalmente após a eleição de Dilma. Mas o termo “feminazi” não deveria ter sido utilizado.

Voltando à Sakineh, o sistema percebeu que é fácil manipular as pessoas que não tem um conhecimento mais profundo da realidade política. Uma manipulação que começa nos meios de comunicação do próprio sistema e continua na Internet. Aliás, a Internet foi criada com esse objetivo: provocar um “ativismo” ou uma “militância” da classe que a ela tem acesso diariamente e, às vezes, 24 horas por dia – a classe média alta com ligações na burguesia.

Um estudo básico sobre a estratégia hegemônica do império permite perceber que, agora, Estados Unidos e aliados pretendem derrubar os governos da Argélia, Tunísia, Marrocos, Líbia e Egito. Todos países de religião muçulmana e que estão localizados no norte da África, ou África branca.

O objetivo é claro: colocar governos aliados nesses países, que poderão ser usados como fator de estrangulamento contra os países do Oriente Médio, logo ali ao lado, que são contra Israel e Estados Unidos – Chipre (que recentemente reconheceu o estado palestino), Turquia, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã, Iraque (que já está ocupado por tropas dos Estados Unidos e aliados), Jordânia, Líbano, Palestina, Omã, Qatar, Síria e Afeganistão.

E para isso está sendo usada a Internet. Observe o que está acontecendo na Tunísia e no Egito. Até há pouco, eram fortes aliados do ocidente, mas os seus governos não são inteiramente confiáveis. A ditadura do Egito, até então era sustentada pelos Estados Unidos, que a impôs ao Egito desde a Guerra dos Seis Dias. O mesmo se passa com a Tunísia. Marrocos é um território livre e inteiramente dominado pelo ocidente. Argélia tem um governo muçulmano que não é exatamente a favor dos Estados Unidos.

E a Líbia. A Líbia de Kadhafi. Ali foi feita uma revolução muçulmana fundamentalista e Kadhafi tornou-se um herói para o povo líbio. Além de muçulmana, a revolução líbia tem ares socialistas. O partido dominante é chamado de União Socialista Árabe. E, além de muçulmana e socialista, é claramente um país autônomo e nacionalista. Possui grandes reservas de petróleo. É o próximo alvo, com certeza.

Logo após a deposição de Mubarak, no Egito, e a transição para um “governo democrático”. Ou seja, um governo com eleições pró-Estados Unidos. Hosni Mubarak apoiou os Estados Unidos durante a Guerra do Golfo, mas não morre de amores por Israel. Não chega a ser um aliado estadunidense, embora proclame-se neutro quanto à questão palestina. Agora deve ser derrubado para que os Estados Unidos e aliados tenham um forte enclave no Egito, com um governo fantoche. A partir dali poderão começar a ameaçar a Líbia e os demais países do Oriente Médio que são contra Israel.

Para isso, as chamadas redes sociais estão sendo utilizadas; o povo está sendo açulado por grupos de ativistas do sistema e se suicida nas ruas contra os soldados dos governos daqueles países que, inevitavelmente, a continuar assim, terão que cair. Um de cada vez.

Este é o pensamento do sistema e a estratégia do império liderado pelos Estados Unidos. Mas como a História tem as suas surpresas, coisas diferentes poderão acontecer.

No mínimo, a manipulação de grandes grupos através da Internet, para servir aos objetivos expansionistas da direita internacional, terá seus dados avaliados para posterior aperfeiçoamento. Por enquanto, na Tunísia e no Egito. Depois, na Líbia, no Irã, na China, no Vietnam, na Venezuela, na Bolívia, no Equador…

A Internet é uma grande experiência sociológica.

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