A base material das diferenças entre negros e brancos

Publicado em: 01/02/2014 às 11:11
A base material das diferenças entre negros e brancos

Um dos impactos do racismo no capitalismo é a manutenção da diferença salarial entre negros e brancos

racismoO Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou mais um levantamento onde a renda do negro, que compõe a maioria da popoulação, teria aumentado 51,4% nos últimos onze anos, enquanto a dos brancos teria crescido 27,8%.

Parece uma notícia positiva a primeira vista, mas a renda dos negros ainda corresponde a apenas 57,4% da renda dos brancos. Em 2003, equivalia a 48,4%. A diferença foi reduzida numa taxa de mais ou menos 1% ao ano, o que mostra que levaria mais 50 anos para o negro conseguir uma renda equivalente à do branco.

Em termos percentuais outros dados ficam escondidos. Por exemplo, a renda média do negro é de R$ 1,374,79, mas a do branco é de R$ 2.396,74. Um aumento de 10% para ambos representa um aumento muito maior para o branco. Esses números estão longe de representar a realidade. A média de rendimento do negro não é de quase 1500 reais. Basta parar um negro na rua e perguntar quanto ele ganha, a resposta dele será valores menores. Se assim fosse, não haveria necessidade de tanta guerra em torno do reajuste do salário mínimo. Bastava fixa-lo pelo menos com base na média salarial do negro de 1500 reais. É preciso de uma verdadeira guerra fraticida para conseguir míseros aumentos.

Nos últimos dois anos a taxa de desemprego entre os negros se manteve, já entre os brancos a taxa teve uma queda ligeira de 4,7% para 4,5%. A manutenção dessas diferenças é o que caracteriza o capitalismo, não se trata de um defeito do regime, mas da forma intrínsica do funcionamento, acentuada devido ao parasitismo. De acordo com o censo de 2010 do IBGE, e analisando algumas das manipulações estatísticas, existem no Brasil em torno a 120 milhões de pessoas em idade produtiva. Apenas pouco mais de 43 milhões de trabalhadores possuim carteira de trabalho assinada. Deles, mais da metade recebem salário mínimo e somente em torno a cinco milhões recebem mais de 10 mil reais.

A persistência do racismo no mercado de trabalho é um dos sintomas de que o regime capitalista de conjunto é incapaz de resolver essa questão. As pesquisas e levantamentos, que são divulgados por diversos órgãos, inclusive do próprio governo federal, e que no geral são manipulados, mostram que pouquíssima coisa mudou ao longo dos onze anos de governo do PT.

Os dados são divulgados na tentativa de mostrar que o governo estaria “preocupado” com a situação do negro, que iria traçar políticas públicas para combater o racismo. Para o começo de 2015, está prometido outro balanço que atualizará os indicadores.

Fonte: Causa Operária

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