De hoje a domingo (27, 28 e 29) acontece na Cinemateca de Curitiba a “Mostra de Cinema Negro Brasileiro”. Organizado por estudantes negros de cinema e audiovisual da Faculdade de Artes do Paraná, a mostra propõe uma nova construção de olhares e narrativas.
Conforme contam os organizadores, o projeto surgiu de uma necessidade dos alunos de cinema de acessar um direito simples assegurado desde sempre à branquitude: se ver nas telas. “Nossa identidade é formada a partir do olhar do outro e desde pequenos somos bombardeados com imagens estereotipadas de pessoas negras nas novelas e no cinema”, explica Bea Gerolin.
Ao todo, são mais de 20 filmes, curtas e longas-metragens em várias sessões ao longo da mostra. O grupo mapeou filmes realizados nos últimos anos em contextos vários: construídos nas periferias, universidades e quilombos, dentro e fora de casa, que garantissem direção e protagonismo negro.
“Como no dogma Feijoada, criado em 2001 por Jeferson De, buscamos filmes em que se represente o cidadão comum, que não transforme a pessoa negra nem em herói nem em um sujeito inferior. A necessidade de criar imagens nossas vivendo situações e dramas comuns ainda existe, mesmo anos depois. Nos interessa olhar para esses filmes e ter nosso olhar devolvido, como um espelho que nunca mostrou nossa cara”, reforça.
Mesas de debates
Além das exibições, a mostra também se propõe a debater, pensar e questionar esse cenário. Já na abertura do evento, a mesa com o tema “O que é Cinema Negro?” será guiada pelo curador e crítico de cinema, dentre outros canais, do site Urso de Lata, Heitor Augusto e a cientista social Karol Martins, trazendo um panorama sobre pensamentos e representações propostas e apresentadas pelo Cinema Negro, especialmente o Cinema Brasileiro.
No sábado, o debate será sobre “A representação das mulheres negras no Cinema brasileiro contemporâneo”, sendo conduzido pela produtora e realizadora Ana Esperança, pela atriz e realizadora Dandara de Morais e a roteirista Jaqueline M. Souza, responsável também pelo site Tertúlia Narrativa.
Para fechar, no domingo duas mesas acontecerão: “Como as representações no audiovisual influenciam o imaginário da criança negra?” será puxada pelo professor/psicólogo Cloves Amorim e a pesquisadora do tema Kariny Martins. E, finalizando o evento, “(R)existindo: como é ser negro e estudar cinema?”, com estudantes negros do curso de Cinema da Unespar-Fap.
A mostra é realizada de maneira independente, financiada por uma vaquinha online de 2 mil reais para arcar com as despesas dos convidados das mesas de debate. Toda a produção, curadoria e divulgação está sendo feita pelos estudantes da Faculdade de Artes do Paraná.
Serviço
Quando: 27, 28 e 28 de julho
Local: Cinemateca Curitiba-PR | R. Presidente Carlos Cavalcanti, 1174
Quanto: Gratuito
Confira a programação:
27/07 – Sexta-feira
19h – Mesa de Abertura: “O que é Cinema Negro?” Com: Heitor Augusto e Karol Martins.
20h30 – Filme de abertura: Ela Volta na Quinta, de André Novais Oliveira (2015, 1h48)
28/07 – Sábado
17h30 – Sessão 1
Caixa d’água: Qui-Lombo é Esse?, de Everlane Moraes – (2012, 15min)
Cinema de preto, de Danddara – (2004, 11min)
No espelho do outro, de Kariny Martins – (2018, 16min)
Fantasmas, de André Novais Oliveira – (2010, 11min)
Deus, de Vinícius Silva – (2017, 25min)
Travessia, de Safira Moreira – (2017, 5min)
19h – Sessão 2
Nada, de Gabriel Martins – (2017, 27min)
Chico, dos Irmãos Carvalho – (2016, 22min)
Bup, de Dandara de Morais – (2018, 7min)
Barbie contra ataca!, de Yan Whately – (2016, 10min)
[Des]prendidas, de Ana Esperança – (2017, 26min)
20h30 – MESA: A representação das mulheres negras no Cinema brasileiro contemporâneo. Com: Ana Esperança, Dandara de Morais e Jaqueline M. Souza.
29/07 – Domingo
16h – Sessão de curtas infantis
A piscina de Caíque, de Raphael Gustavo da Silva (2017, 15min)
A câmera de João, de Tothi Cardoso (2017, 22min)
Lá do alto, de Luciano Vidigal (2017, 8min)
Fábula de Vó Ita, de Joyce Prado e Thallita Oshiro (2016, 5min)
Lápis de Cor, de Larissa Fulana de Tal (2014, 13min)
17h30 – MESA: Como as representações no audiovisual influenciam o imaginário da criança negra? Com: Kariny Martins.
18h30 – Sessão 2
Peripatético, de Jéssica Queiroz – (2017, 15min)
Dentro de si, de Tulio Borges – (2018, 14min)
Pele suja, minha carne, de Bruno Ribeiro – (2016, 15min)
Copiloto, de Andrei Bueno Carvalho – (2018, 17min)
Cinzas, de Larissa Fulana de Tal – (2015, 15min)
Rapsódia para um homem negro, de Gabriel Martins – (2015, 25min)
20h15 – Mesa de encerramento: (R)existindo: como é ser negro e estudar cinema?”, com estudantes negrxs do curso de Cinema da Unespar-Fap.