Até o momento, 21 pessoas foram presas e 26 ficaram feridas; protesto coincide com debate sobre reforma no Senado.
Uma manifestação contra as reformas trabalhistas do presidente da França, François Hollande, realizada nesta terça-feira (14/06) em Paris, foi reprimida pela polícia e deixou 26 feridos, entre manifestantes e policiais, segundo as autoridades. Pelo menos 21 pessoas foram presas.
A polícia, que argumenta ter sido atingida com pedras e garrafas lançadas por alguns manifestantes “mascarados”, reprimiu o ato com bombas de efeito moral, canhões de água e gás lacrimogêneo.
Além disso, algumas vitrines, pontos de ônibus e painéis de publicidade foram vandalizados, e as visitações à Torre Eiffel foram interrompidas “devido ao movimento social nacional”.
Segundo os organizadores, 1 milhão esteve presente no ato desta terça. As autoridades falam em 75 mil a 80 mil pessoas. Mais dois protestos estão programados para os dias 23 e 28 de junho na capital.
Nesta terça, também ocorreram outros 50 protestos em diferentes cidades do país, que coincidiram com um debate no Senado francês sobre a reforma de Hollande.
O mandatário francês está tentando implementar uma reforma trabalhista que, segundo ele, visa combater o desemprego na França — que atualmente atinge 10% da população.
Um dos principais aspectos da reforma é alterar a jornada de 35 horas de trabalho semanais. O limite seria oficialmente mantido, mas será permitido às companhias organizar horas de trabalho alternativas — como trabalhar de casa — o que, no final, poderia resultar em até 48 horas de trabalho por semana. Em “circunstâncias excepcionais”, o limite poderá ser de até 60 horas por semana.
A proposta permite também que as empresas deixem de pagar as horas extras aos funcionários que trabalharem mais de 35, recompensando-os com dias de folga.
Desde março, os trabalhadores de todo o país estão realizando protestos, greves e paralisações para tentar barrar a proposta de Hollande, que afirmou em diversas ocasiões que não iria ceder à pressão da população.
“Eu tenho participado dos atos desde março porque quero viver com dignidade, não apenas sobreviver. Eu quero que a reforma seja descartada, pura e simplesmente. Só assim [os protestos] vão parar. Pelo bem do governo, eles devem descartar a lei, ou iremos bloquear a economia”, disse nesta terça um dos manifestantes ao jornal britânico The Guardian.
Fonte: Opera Mundi