Jatobá, uma árvore sagrada para o Povo Terena, pois compõe as cosmosvisões, é carregada de memórias das ancestralidades e fortalece os ritos e as espiritualidades.
*Tão simples*
De manhã, bem cedinho, a bicharada entra em alvoroço, são galos, galinhas, patos, em combinação com as arcuãs, os periquitos, papagaios e araras a anunciarem o dia que vem.
Dentro das pequenas casas, simples e acolhedoras, os Terena, especialemente os mais velhos, afastam o sono, dando início aos afazeres mais delicados.
O fogo de chão aviva-se a partir de um braseiro, que ali adormecia entre as cinzas, acordado pelos sopros do dono da casa, para, em seguida, arder e aquecer os arredores da cozinha.
A chaleira de água logo fica aquecida, uma bomba e a cuia, com um punhado de erva dentro, faz-se partilha, porque o “mate” está pronto.
E começam as prosas matinais, em geral sobre os sonhos da noite, ou das tarefas do dia, enquanto a cuia roda entre os que estão e os que se aproximam.
Quando se nota, já há a presença dos filhos, filhas, netos, netas, irmãos, irmãs, genros, noras, cunhados acolhendo-se em torno de um ancião, que distribui o “mate” quentinho, passando de mão em mão.
Tudo tão simples, singelo, delicado, sem atropelos, angústias ou medos, parecendo que o Bem Viver se constituiu naquele ambiente de palavras curtas e risos largos.
Porto Alegre (RS), 01 de setembro de 2024.
Roberto Liebgott, homenagem ao ancião Jucelino Terena, sobre a vida na aldeia Buriti, Povo Terena, Sidrolândia, Mato Grosso do Sul.