Por um debate amplo em favor dos animais

Entrevista de Raul Fitipaldi a  Manoela Carratu, blogueira e ativista.

A sociedade brasileira através de ativistas em defesa dos animais, a partir da liberação dos cães submetidos à pesquisa científica pelo Instituto Royal, deflagrou um debate e um chamado á consciência,  e vem se mobilizando em favor do trato adequado aos bichos, domésticos ou não. Por esse motivo entrevistamos a ativista de Florianópolis, Manoela Carratu (foto), que acontecerá nesta sexta-feira, 18:30 h, na Concha Acústica da UFSC.

Desacato – Tem melhorado a consciência pública a respeito do tratamento aos animais ou o acontecido com o Instituto Royal é apenas um fato isolado ou pontual? 

Manuela Carratu. – Na minha opinião, a consciência está mudando sim, porém muito gradativamente. Temos ainda um caminho muito longo a percorrer.

Desacato – Qual a situação dos animais domésticos e em situação de rua em Florianópolis e Região?   O Estado e o Município cumprem o papel que lhes corresponde, seja através dos setores de zoonose como de controle epidemiológico, guarda, proteção e educação pública ao respeito de trato aos animais? 

M.C. – Temos em media 20 mil animais nas ruas de Florianópolis entre cães e gatos que estão sujeitos a qualquer tipo de situação, entre elas: maus tratos, fome, frio, doenças, violência. O Município possui a DIBEA que na medida da possibilidade realiza castrações, atendimento veterinário para a população carente, entre outros projetos, porém, definitivamente, faltam recursos e políticas públicas efetivas para resolver a questão de forma mais abrangente.

Desacato É suficiente a legislação federal tanto no controle, punição de delitos contra animais e espécies em extinção? Se cumpre?

M.C. – A legislação, além de ser muito branda, com possibilidade de penas alternativas e multas, ela não se faz cumprir. Devemos exigir uma legislação mais firme e punir os agressores com cadeia!

Desacato  – Depois deste Ato, qual o passo que deveria se seguir para aumentar a reflexão e exigir as medidas legais cabíveis que protejam os animais tanto domésticos, quando em situação de rua e de reservas?

M.C. – Com o Ato, que nessa situação específica se trata de animais de pesquisa, pretendemos chamar a atenção da população para a Valorização da Vida de forma geral. As pessoas precisam saber que existe a tecnologia alternativa, que pesquisa em animais não assegura, de forma alguma, que o objeto da pesquisa funcionará para os humanos. Pelo contrário a maioria das experiências são errôneas, não dão certo em humanos.

Desacato – Suas considerações gerais, por favor, e seus dados pessoais: nome completo, profissão, idade. 

M.C. – Neste momento nos estamos concentrados em questionar métodos alternativos, não queremos mais pagar a crueldade com a nossa contribuição. Queremos mostrar para a população que não queremos atrapalhar a ciência, pelo contrário, queremos que evolua, investindo em nova tecnologia. Não podemos mais tolerar a farra com o dinheiro público, queremos, no mínimo, gerar um debate amplo, para que a população questione sim, não ha motivo para ficar contra nós. Não somos loucos, somos apenas pessoas sensíveis, e queremos um mundo melhor para todos, incluindo os animais, que não são objetos, fazem parte do nosso meio ambiente, inclusive, urbano. Acreditamos que através da educação podemos mudar o mundo.

manoela carratu


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1 COMENTÁRIO

  1. É fundamental que a sociedade se organize para mudar aquilo que não está de acordo com o bem maior, neste caso, a vida dos animais em questão.
    Nem tudo que é legal é justo, e se existem métodos alternativos que substituem experimentos cruéis com animais, eles devem ser utilizados.
    O que acontece nos biotérios é semelhante ao ocorrido nos campos de concentração, e se de alguma forma a ciência pode avançar mediante o sofrimento de muitos, não queremos mais “crescer” desta maneira, na contramão de valores verdadeiramente humanos.

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