Redação.- Uma declaração do ministro da Saúde da Argentina, Mario Lugones, gerou indignação ao afirmar que idosos — especialmente os com mais de 80 anos — representam “uma carga muito grande” para o sistema de saúde dos aposentados.
Mas o problema vai além da frase. Para muitos analistas e setores da sociedade, a crise no sistema não é simplesmente resultado do envelhecimento da população — ela estaria sendo provocada por políticas de ajuste e desfinanciamento.
O que é o PAMI e por que ele está no centro da crise
O PAMI é o principal sistema de saúde voltado para aposentados na Argentina, atendendo milhões de pessoas, sobretudo idosos.
Ele funciona como uma rede pública específica para essa população — algo que, no Brasil, não existe de forma separada, já que o atendimento é concentrado no SUS. Ainda assim, o PAMI cumpre um papel semelhante: garantir acesso à saúde para quem já saiu do mercado de trabalho.
A fala que expôs uma visão de governo
Ao comentar os custos do sistema, Lugones destacou o alto número de idosos e afirmou que isso representa um peso significativo para o PAMI.
A reação negativa veio porque a fala sugere uma lógica perigosa: a de que o problema não está nas políticas adotadas, mas nas próprias pessoas atendidas.
Em outras palavras, desloca-se o foco do debate — da gestão e do financiamento — para os usuários do sistema.
Crise “natural” ou crise construída?
Embora o envelhecimento populacional aumente a demanda por serviços de saúde, diversos elementos indicam que a atual crise não surgiu espontaneamente:
- Redução de cobertura de medicamentos
- Pagamentos considerados insuficientes a médicos e prestadores
- Atrasos e dívidas acumuladas
- Pressão para enxugar custos no sistema
Essas medidas, segundo críticos, não apenas refletem a crise — elas a aprofundam.
Há quem defenda que esse processo segue um padrão conhecido: deteriorar o serviço público para justificar reformas mais duras ou privatizações.
Descubra mais sobre Desacato
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





