Por Edgar Isch L.
Vários atores da justiça internacional afirmam que o genocídio é o pior crime contra a humanidade. A pretensão de eliminar um povo inteiro, uma cultura (etnocídio) ou um grupo humano com características específicas é, além disso, a conjugação de múltiplos outros crimes contra a humanidade, dos quais o governo de Israel, com o apoio dos Estados Unidos e de outros governos que se autodenominam “civilizados”, se tornou o que os executa permanentemente há décadas.
De fato, organizações internacionais de direitos humanos também denunciaram, para citar apenas um, o apartheid em Israel, que é uma cópia do sistema contra o qual lutaram bravos como Nelson Mandela na África do Sul.
No caso de Gaza, estudiosos dos genocídios na história mundial demonstraram que é precisamente isso que Israel e seus aliados pretendem. Entre eles, pessoas de origem judaica e até mesmo de nacionalidade israelense, que, assim como outros judeus no mundo, afirmaram que o genocídio não pode ocorrer em seu nome, demonstraram que a responsabilidade real é do sionismo como linha ideológica irmã do nazismo e do fascismo.
Agora, há números de quantas pessoas com dupla nacionalidade ou passaportes de outros países participaram do genocídio. Os dados, que correspondem àqueles que serviam às forças de invasão e colonização em março de 2025, foram obtidos a partir de documentos desclassificados pelo próprio exército de Israel devido a um pedido de Liberdade de Informação emitido às Forças de Defesa (FDI) pela ONG Hatzlachá.
Essa rede sionista em todo o mundo contava, naquela época, com 50.000 combatentes. Em cada país, eles deveriam ser investigados e, caso fosse confirmada sua participação em crimes de guerra, punidos de acordo com a gravidade desses crimes.
Os grupos mais numerosos são titulares de passaportes dos Estados Unidos (12.135), França (6.127), Rússia (5.067), Alemanha (3.901) e Ucrânia (3.210). No caso da América Latina, a presença de pessoas com dupla nacionalidade, israelense e de algum país da nossa região, soma, nesse momento, 1.754. É preciso considerar que há um número adicional de pessoas com múltiplas nacionalidades. Por exemplo, há 27 pessoas com passaporte equatoriano, mas há mais cinco pessoas que têm esse passaporte e múltiplas nacionalidades.
Latino-americanos participantes no exército genocida
Um total de 1754 latino-americanos integrou o exército israelense em Gaza, entre eles 609 argentinos, 505 brasileiros, 181 mexicanos, 161 peruanos, 112 colombianos, 71 venezuelanos, 27 costarriquenhos, o mesmo número de equatorianos, 22 cubanos, 13 paraguaios, oito salvadorenhos, 8 hondurenhos, 7 bolivianos e 3 dominicanos, de acordo com a ONG Hatzlachá, verificada pela Al Jazeera’s Sanad (Dados de março de 2025).
A Fundação Hind Rajab, com sede na Bélgica e batizada em homenagem a uma menina palestina de cinco anos cujo assassinato pelas mãos de soldados israelenses em 29 de janeiro de 2024 se tornou um símbolo do genocídio de Israel em Gaza, vem acumulando informações que já lhe permitiram apresentar acusações perante o Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade a mais de 1.000 soldados israelenses. Isso, é claro, se soma às denúncias contra figuras como Benjamin Netanyahu, cujo mandado de prisão está em vigor, e mais soldados com dupla nacionalidade.
É claro que permanece a dúvida sobre os números correspondentes à duração do genocídio, que já ultrapassa dois anos e meio, e não apenas um mês. Além disso, em que casos os países proíbem seus cidadãos de participar de guerras em outros países, o que acrescentaria mais um crime ao que foi cometido. E, principalmente, quem são e quais perigos representam para cada país para onde essas pessoas retornam.
As informações desclassificadas abrem as portas para outra linha de trabalho na luta pela humanidade, contra o genocídio e o fascismo.
Edgar Isch L é acadêmico e ex-ministro do Meio Ambiente do Equador. Associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE, www.estrategia.la)
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