Bloco Africatarina celebra a cultura afro e a resistência negra no carnaval de Florianópolis

Fundado em 2001, o Bloco Africatarina completa 25 anos de atuação em Florianópolis reafirmando o carnaval como espaço de afirmação da cultura negra, de luta política e de ocupação das ruas. Mais do que um bloco carnavalesco, o Africatarina se define como um projeto cultural contínuo que reúne banda, bateria, coletivo artístico e movimento social.

De acordo com Fátima Costa de Lima, uma das fundadoras do grupo, o Africatarina surgiu a partir de oficinas gratuitas de teatro, percussão, capoeira e dança afro oferecidas a crianças e adolescentes na Sociedade Novo Horizonte, em parceria com a Universidade do Estado de Santa Catarina. Durante mais de uma década, o projeto atuou em escolas públicas e instituições comunitárias, até enfrentar interrupções motivadas por mudanças políticas e institucionais na cidade.

Mesmo fora das ruas por um período, o Africatarina manteve sua atuação por meio de apresentações culturais e projetos de geração de renda para jovens que cresceram dentro do coletivo. A retomada do desfile de carnaval ocorreu em 2018, marcando uma nova fase do grupo, agora inserido no chamado desfile dos Blocos Afro de Florianópolis, ao lado de outros coletivos como Arrasta Ilha, Baque Mulher Floripa e Corijaide.

A atuação do Africatarina extrapola o período do carnaval. O coletivo participa ativamente de atos públicos, manifestações e mobilizações sociais ao longo do ano, marcando presença em pautas como a defesa das cotas raciais, a luta contra o aumento da tarifa do transporte público e a conquista da titulação do Quilombo Vidal Martins. “A nossa luta é no carnaval e fora dele”, resume Fátima.

O Bloco Africatarina participa do tradicional desfile dos Blocos Afro de Florianópolis no dia 13 de fevereiro, às 19h, na Praça 15 de Novembro. A programação do grupo inclui ainda  no dia 17 de fevereiro, na Casa Odara. O Africatarina não conta com financiamento fixo e realiza a venda de abadás para custear suas atividades.


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