Na semana passada, enquanto comemorava a prisão do fascista chefe, escrevi um texto que tratava da minha desconfiança sobre a nossa velha mania de baixar a guarda.

“É preciso estar atento e forte” no Brasil, cantavam os Doces Bárbaros.

Dizia o meu texto anterior…

“Prender o ladrão não é nada quando o seu bando tem a chave da tua própria casa.

Considerando que A Quadrilha é como uma máfia que opera em nível mundial (chamada Fascismo), e que essa máfia aprendeu com o tempo a mudar o comando, exterminando-o quando passa a dar mais problemas que lucros, comemorar é bom, mas…

Não deveria jamais significar que baixemos a guarda e relaxemos, somente nos dedicando a comemorar a batalha vencida, enquanto a guerra segue.”

Eu me acho muito chato quando não consigo me impressionar tanto quanto as melhores pessoas que me rodeiam, como ontem, quando a Câmara dos Deputados do Brasil seguiu sendo A Câmara dos Deputados do Brasil.

O que esperar desse Congresso Nacional fascista (basta já de suavizar chamando-os de Extrema Direita) que não seja o pior que já nos demonstrou?

Será por isso que já não me afeta tanto o que assistimos ontem?

Pois que isso não sirva, para mim mesmo, como um mero “eu já sabia”.

Não é hora de lutar com todas as nossas forças contra esse novo golpe. Não. Nem é isso.

É hora de considerar a teoria do golpe permanente: tal como os cubanos revolucionários seguem usando o conceito de revolução permanente; não baixar a guarda jamais (muito embora Sem Perder a Ternura e abrindo cervejas para comemorar que Bolsonaro segue preso).

O meu texto, aquele, se preocupava (permanentemente) sobre o que o aristocrático e oligárquico Poder Judiciário brasileiro está passando a representar para o país: uma ilusão. Por mais que eu me esforçasse jamais conseguiria chegar a ser um admirador (mesmo com todos os seus méritos) de um tal Super Alexandre de Moraes. E que aos poucos já estão se revelando o que sempre foram, as supremas cortes brasileiras, como no caso da maioria dos posicionamentos jurídicos contrários aos nossos direitos.

Assisto a grande mídia tratar de questionar os grandes salários enquanto não fala nada sobre determinadas categorias profissionais da administração pública (não me refiro a juízes nem a parlamentares) sendo presenteadas pelo atual governo com um novo aumento salarial e com outro novo aumento em cima dos chamados penduricalhos.

Assisti um parlamentar da nossa esquerda votar contra o seu próprio partido por tentar uma tal jogada de mestre: negociar com os fascistas. Assisti recentemente aquele mesmo parlamentar ganhar um novo importante cargo.

Assisto a esquerda brasileira falar cotidianamente em Trabalho de Base, sem fazê-lo efetivamente.

Assisto a campanha eleitoral pra Presidente concentrar-se numa pessoa, para “salvar a pátria”, novamente.

Mesmo elencando 43 motivos para não concordar com o nosso governo, não sou besta de não apostar na renovação do nosso Presidente da República. Não nos enganemos jamais em relação a isso. Estou falando de seguir apoiando o governo Lula e a sua reeleição, pra falar bem claro.

Irei pras ruas protestar contra o novo golpe político em Brasília (sim, agora concentrado no ícone do bravo e honrado deputado Glauber Braga), sem a sensação de ir pra batalha alguma.

Política, na atual sociedade, tem um nome antigo e que remete ao que estou tentando resumir nesse breve artigo: luta e não conciliação de classe. O capitalismo tem essência. É essa.

O que é que você estava pensando?

É guerra, companheiros. Infelizmente. Nem é somente “mais uma importante batalha”.

Será porque sempre a sofre gente em pior situação do que a gente?

Não alimentar falsas expectativas é o verdadeiro não ter medo de ser feliz.

Esperança, por outro lado, é oooooutra coisa… que eu muito amo.

Aquele abraço.

 

@1flaviocarvalho, sociólogo, ex-consultor internacional da OIM e da UNESCO, eleito vice-presidente do Conselho de Representantes dos Brasileiros no Exterior, em 2010. Recebeu a Ordem do Rio Branco, no Governo Lula, em 2011.

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