Gleisi Hoffmann diz que texto “blinda o crime”; Lindbergh vê retaliação à PF após operação contra o PCC
O relatório do deputado Guilherme Derrite (PL-SP) reacendeu o embate entre o governo federal e a oposição. O texto, cria a possibilidade de tipificar algumas condutas das facções criminosas como terrorismo e transfere às polícias civis estaduais a competência para investigar esses casos, foi criticado pela Polícia Federal e por integrantes do governo Lula.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou a proposta como “um salvo-conduto a organizações criminosas”, alertando que ela pode se tornar “uma lei da blindagem, da bandidagem”. Segundo Gleisi, ao restringir a atuação da PF, o relatório “relaxa o combate ao crime organizado”.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), também reagiu, afirmando que o projeto é apoiado pelos mesmos grupos que tentaram aprovar a chamada PEC da blindagem, barrada no Senado em 2023.
“O fundamental é desmontar esse ataque à Polícia Federal. É a mesma turma que tentou criar proteção até a membros do Parlamento”
disse Lindbergh.
Pelo texto, a PF só poderá atuar em casos de terrorismo ou crime organizado se houver repercussão interestadual, risco à segurança nacional ou solicitação do governador ao Ministério da Justiça.
Para o governo, a proposta reduz a capacidade da PF de conduzir investigações sensíveis e pode estar relacionada ao desconforto gerado pela Operação Carbono Oculto, deflagrada em outubro contra o PCC.
“Muita gente na política ficou incomodada com a Operação Carbono Oculto, muita gente”
afirmou Lindbergh.
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