Jogo inspirado nas vítimas do genocídio em Gaza é premiado no maior simpósio de games do Brasil

“Back to Dust – Hold it Together” venceu na categoria profissional de melhor narrativa do Festival de Jogos do Simpósio Brasileiro de Games, em Salvador

O jogo de videogame “Back to Dust – Hold it Together”, desenvolvido por Suami Abdalla, recebeu o prêmio de melhor narrativa na 24ª edição do Festival de Jogos do Simpósio Brasileiro de Games 2025, realizado em Salvador na semana passada.

O SBGames é o maior simpósio da América Latina, reúne desenvolvedores do Brasil inteiro e é realizado anualmente pela comunidade científica e acadêmica. A premiação ocorreu no último dia 2. Ao ser anunciado para receber o prêmio, o desenvolvedor fez questão de vestir um keffiyeh e homenagear o povo palestino, que luta contra a barbárie genocida de “israel” em meio a dois anos de genocídio.

“Back to Dust – Hold it Together” é um jogo independente de sobrevivência e decisões morais lançado em setembro do ano passado. Inspirado em histórias reais de refugiados de vários países, como da Palestina, o jogo coloca o jogador no papel de um pai que, junto de sua filha, tenta escapar de uma zona de conflito devastada pela guerra. Com pouca comida, poucos recursos e nenhuma certeza do que vem pela frente, a única esperança é alcançar a fronteira e tentar atravessar para o país vizinho — uma jornada longa, perigosa e repleta de dilemas éticos.

Durante o caminho, outros refugiados cruzam o trajeto do jogador, pedindo abrigo, ajuda e alimento. Cada decisão carrega um peso moral e prático: ajudar pode significar salvar vidas, mas também colocar em risco a sobrevivência da sua própria família. Em “Back to Dust”, a humanidade e o instinto de autopreservação entram em conflito constante, e o jogador é forçado a decidir até onde está disposto a ir para manter-se vivo — e o que significa, afinal, permanecer humano.

“Esse jogo é uma forma de dar voz às famílias que foram forçadas a deixar seus lares por causa de guerras, genocídios, invasões, colonização ou perseguições políticas e étnicas, famílias como a minha e também aquelas que nem tiveram a chance de escapar”, diz Suami Abdalla à Fepal. Ele é descendente de sírios e dedicou à Palestina menções no início do jogo, onde aparecem o mapa e a inscrição com o nome da nação.

“Receber o prêmio de melhor narrativa mostra que esse tema ressoa no mundo, que as pessoas se importam e reconhecem a urgência de agir diante desses deslocamentos forçados, dessas ocupações e desses genocídios”, completa.

Sobre o jogo

“Back to Dust” se destaca por sua simplicidade mecânica e profundidade narrativa. O foco está na tomada de decisões, o verdadeiro motor da experiência. Não há sistemas complexos de combate nem gráficos extravagantes — o coração do jogo é a reflexão. Cada escolha abre possibilidades diferentes: novos eventos, mudanças na história e até finais alternativos.


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