Por Adriana Cristina Schimidt.
Quantas vezes nossos olhos se encantam com vitrines iluminadas, fachadas luxuosas e letreiros cintilantes? Mas raramente paramos para olhar, de verdade, para a periferia.
É lá que a vida pulsa no balcão da padaria do seu João, no cheiro doce do bolo da dona Maria, conhecido por toda a comunidade. É no quintal, na feira, na calçada, nos pequenos negócios que resistem e sustentam famílias inteiras. Esse comércio, muitas vezes invisibilizado, também é economia, e das mais autênticas, porque nasce da necessidade, da criatividade e da força coletiva.
A periferia não é carência; é potência.
É movimento que transforma, é berço de talentos, é palco onde o povo negro ergue-se com dignidade e conhecimento transmitido de geração em geração.
A periferia é mão de obra qualificada, saber prático, arte, cultura, ciência; só precisa que acreditem nela, que invistam, que lhe deem o espaço de destaque que sempre mereceu.
Periferia é vida que insiste, que cria, que pulsa.
É o coração que bate nas bordas, mas que sustenta o centro.
É raiz e é futuro.
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