
Por Sérgio Homrich.
Imagens: Moradores da comunidade
A ocupação Vila Esperança, localizada ao final da rua Pedro Antônio da Glória, bairro Salinas, em Balneário Barra do Sul, sofreu novo atentado na manhã de sábado (20), quando dois moradores foram agredidos e ameaçados de morte. Homens armados com facões e paus, invadiram os terrenos, por volta das 18 horas, e partiram para violência, especialmente contra a liderança do movimento, Gisleny Rondon. Ela foi imediatamente protegida pelo seu vizinho de chalé, senhor Devanir, que também sofreu cortes no braço. Gisleny teve um corte profundo no pescoço e foi atendida na Unidade de Saúde, onde sofreu pontos.

“Nossa luta é por moradia, por um pedaço de lote”, explica Gisleny, contando que os “capangas dos Borges” adentraram no terreno da ocupação, “jogaram tijolos contra a gente, mas tive a reação de defesa para sobreviver”. Segundo ela, “um tal de Emanoel utilizou o facão para me enforcar e tentou ligar a minha motosserra para me matar. Me chutaram tanto que sinto dor pelo corpo inteiro”, conta, “foram momentos de terror”. Gisleny registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Militar de Balneário Barra do Sul, às 18h10min do dia 20 de setembro. Foi submetida a exame de corpo de delito, está afastada do trabalho por 30 dias e aguarda a conclusão do laudo pericial. Além das agressões físicas, seu carro, um veículo Fiat Idea, teve os vidros traseiro e lateral quebrados.
Vídeo da violência: https://www.instagram.com/p/DO6mTMZCJeQ/
Essa não foi a primeira vez que a jovem sofreu atentado por causa da ocupação Vila Esperança. Há poucos dias, quase foi atropelada junto com uma amiga e teve o carro, um veículo Fiat Idea, abalroado, quebrando os faróis. O seu chalé, construído pelos próprios moradores, foi consumido pelas chamas no dia 5 de setembro. “Tínhamos acabado sair por falta de uma lâmpada na casa e para carregar o meu celular. Percebi que pessoas assediavam o chalé, mas jamais imaginei que isso fosse acontecer. Eu já estava fazendo a mudança, tinha colocado muitos pertences lá dentro”, relata, lembrando do medo das ameaças que vinha sofrendo nas redes sociais. Colchões, roupas, bicicletas, os brinquedos das suas duas filhas pequenas foram destruídos. “Foi uma quebra da expectativa, as crianças já sonhavam com o lugar onde colocariam as coisas… mas a gente vai reconstruir as casas”, planeja.
São aproximadamente 20 famílias que ocuparam o espaço, limparam o terreno e estão construindo as suas casas. “São pessoas que pagam aluguel e lutam pelo direito à moradia”, defende-se Gisleny, que está há seis anos e meio em Barra do Sul, passou no Concurso Público para professora em 2019 e atuou em duas escolas, até ser eleita e reeleita para o segundo mandato como presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Balneário Barra do Sul. Ela afirma que os servidores encontram dificuldades para alugar imóveis no município e, quando encontram, não são valores acessíveis (entre R$ 1.000 e R$ 1.500 mensais). “Nosso salário de servidor não é o menor, mas um dos menores no serviço público da região, a Prefeitura não paga o Piso Nacional do Magistério”.

Moradia enquanto direito
Gisleny lamenta que a Prefeitura não tenha Projeto Habitacional para a população de baixa renda, e denuncia: “Mais de 80% das casas construídas em Barra do Sul foram adquiridas por ocupação, inclusive de pessoas que têm dinheiro e estão em cargo público. O governo municipal precisa entender que essas terras têm que cumprir a sua função social e não permanecerem abandonadas por 20 anos, aumentando a dívida ativa do imóvel. Os moradores querem o que é direito nosso, estamos em uma luta pelo povo, não é uma luta individual”.
Em princípio, está correndo o prazo de 15 dias dado pela Justiça para que os moradores da Ocupação Vila Esperança deixem o local. Enquanto isso, resistem pelo direito à moradia, discutem formas de garantir água de poço e de contar com o apoio da própria comunidade para conseguirem luz elétrica. “Estou fazendo uma luta pessoal por moradia, não usando a estrutura do sindicato dos servidores, resistir é preciso”, faz questão de salientar a líder sindical. Quem quiser fazer doações para apoiar na reconstrução da casa de Gisleny e para fazer doações à luta dos moradores da Ocupação Vila Esperança, o fone WhatsApp é 47-99636-7359.
Descubra mais sobre Desacato
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





