Julia Chuñil: o desaparecimento que expõe a violência do Estado chileno e a urgência da solidariedade entre os povos

Desaparecimento de Julia Chuñil expõe o terror de Estado no Chile e conecta lutas indígenas e direitos humanos na América Latina

Redação.- No Chile, a memória das ditaduras militares e das violações sistemáticas de direitos humanos continua sendo uma ferida aberta. Mais de trinta anos depois do fim oficial do regime de Pinochet, casos de desaparecimentos forçados e perseguições políticas seguem ocorrendo – com um traço alarmante de impunidade. Entre esses casos, ganhou força a luta por justiça e verdade no desaparecimento de Julia Chuñil, mulher indígena mapuche cuja história tem mobilizado organizações sociais, ambientais e de direitos humanos.

Julia Chuñil desapareceu num contexto marcado pela militarização do território mapuche, a expansão de projetos empresariais extrativistas e a conivência de diferentes esferas do Estado chileno. Conforme as denúncias apresentadas por familiares, organizações de direitos humanos e movimentos sociais, o seu caso se conecta com outras desaparecimentos forçados ocorridos desde os anos 2000, como os de Hugo Arispe Carvajal, José Huenante Huenante, Ramón Pacheco Giacomozzi, José Vergara Espinoza e Geraldo Monarez Peña. Neles todos, foi comprovada a responsabilidade de agentes estatais.

O desaparecimento de Julia não foi um episódio isolado. O caso também evidencia a aliança entre interesses econômicos, poder judicial e forças repressivas do Estado. Documentos e testemunhos indicam que havia uma disputa envolvendo grandes proprietários de terra e empresas madeireiras, interessadas na exploração de áreas de floresta nativa que Julia e sua família protegiam. Ainda segundo as denúncias, houve manipulação de provas, criminalização da vítima e intimidação da família – inclusive com violência e ameaças contra sua filha menor de idade.

Além disso, o ato convocado pelas organizações chilenas ressaltou a conexão entre as lutas do povo mapuche e as resistências internacionais contra o colonialismo e o autoritarismo. Durante a mobilização, representantes de dezenas de coletivos expressaram solidariedade ao povo palestino e denunciaram o uso de armamentos israelenses pela repressão chilena. Essa relação revela como o extrativismo, o racismo institucional e a violência estatal são sustentados por uma lógica transnacional de dominação e lucro.

O movimento por justiça no caso de Julia Chuñil defende:

  • O julgamento e condenação dos responsáveis políticos, econômicos e policiais.

  • A investigação profunda sobre as responsabilidades e omissões que permitiram a impunidade.

  • O fim da militarização do território mapuche e a revogação de leis repressivas como a Lei Naín Retamal.

  • O rompimento imediato de acordos diplomáticos, culturais, militares e comerciais com o Estado de Israel.

Para o público brasileiro, a luta por Julia Chuñil guarda semelhanças com as causas em defesa dos povos indígenas da Amazônia e outras regiões do país, que enfrentam a expansão de grandes projetos econômicos e a violência estatal. Também ecoam as batalhas por memória e justiça frente às violações cometidas pela ditadura civil-militar brasileira e suas consequências, ainda vivas.

A mobilização no Chile – expressa no ato solidário que será realizado no dia 8 de agosto na Explanada Memória Nacional do Estádio Nacional, espaço simbólico da memória das vítimas da repressão – reafirma a importância de construir redes internacionais de solidariedade. Porque enquanto houver desaparecimentos forçados e perseguições políticas, a democracia permanecerá incompleta. Com presença de Pablo, filho da ñaña Julia Chuñil e Eduardo Asfura em nome do povo palestino.

Veja os assinantes e o texto original em espanhol nesse link.


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