Bolsonaro livre e Cristina presa? Constitucionalistas denunciam dois pesos e duas medidas

Tornozeleiras em Bolsonaro e Cristina Kirchner expõem não só crises internas, mas a mão invisível dos EUA na (des)democracia latino-americana. Justiça ou geopolítica?

Redação.- Na edição do programa Alexandria, apresentada por Raul Fitipaldi na quarta-feira, 30 de julho, na Noite Livre do Portal Desacato, um debate denso e provocador reuniu as advogadas constitucionalistas Caren Machado (Brasil) e Constanza Estepa (Argentina). Em pauta: as tornozeleiras eletrônicas impostas a dois ex-chefes de Estado — Jair Bolsonaro e Cristina Fernández de Kirchner — e o pano de fundo político-judicial que liga esses casos à fragilidade democrática e à interferência estrangeira na soberania latino-americana.

Caren Machado destacou que a medida contra Bolsonaro é justa e até branda frente à gravidade dos crimes cometidos, como a apologia à tortura, o boicote à saúde pública durante a pandemia e a tentativa de golpe em 8 de janeiro. Ela frisou que a tornozeleira imposta ao ex-presidente tem relação direta com o financiamento, por ele, das ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA, onde o deputado age abertamente contra os interesses do Brasil. Para Caren, a punição não só é merecida como tardia — e evidencia o risco que Bolsonaro ainda representa à democracia.

Já Constanza Estepa trouxe uma análise mais crítica e jurídica sobre o caso de Cristina Kirchner, apontando uma condenação com aparência de legalidade, mas com fortes indícios de ilegitimidade. A advogada argentina questionou a inconstitucionalidade da inabilitação perpétua da ex-presidenta e denunciou a influência do Fundo Monetário Internacional (FMI) na formulação dessa pena. Para Constanza, Cristina está presa mais por motivações geopolíticas e interesses externos — particularmente dos EUA — do que por ações comprovadas no devido processo legal.

Ambas as convidadas convergiram ao denunciar a interferência norte-americana nos processos judiciais e políticos de seus países. Raul Fitipaldi sublinhou o absurdo da nomeação de um embaixador estadunidense que, em sabatina no Senado, disse que trabalharia para “manter Cristina presa”, e observou que a soberania brasileira também sofre ataques — ainda que de forma distinta. A crítica se estendeu à elite econômica global e à direita internacional, que promovem um projeto coordenado de desestabilização de democracias latino-americanas.

O programa concluiu com uma dose de esperança. Caren acredita que Bolsonaro será preso e que isso simbolizará não apenas justiça, mas uma resposta coletiva contra o autoritarismo e a mentira. Constanza, por sua vez, aposta na mobilização popular para reverter a situação de Cristina e reconquistar direitos. Ambas demonstraram que a luta pela soberania, pela justiça e pela dignidade dos povos latino-americanos passa, hoje, pela vigilância crítica do judiciário, pela denúncia internacional e pela força organizada das ruas.

Assista ao programa completo no vídeo abaixo.

O programa Alexandria vai ao ar toda quarta-feira, às 20 horas, no Portal Desacato e redes.


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