O problema financeiro do Brasil são os supersalários? Por Paulo Lindesay.

Por Paulo Lindesay.

Pesquisando os dados da pirâmide remuneratória dos servidores ativos, no painel de Estatística de Pessoal – PEL, temos o real cenário remuneratório do Poder Executivo civil.
Quase 70% da remunerações dos servidores públicos do Poder Executivo civil, estão no intervalo entre menos de 3 mil reais e 15 mil reais. Enquanto os verdadeiros supersalários, acima de 44 mil reais, teto do Supremo Tribunal Federal, representam cerca de 0,23% do total das remunerações do Executivo civil. Sem deixar de citar que os supersalários estão entre os magistrados do Poder Judiciário, no Poder Legislativo e no alto escalão da carreira militar.

Portanto, uma REFORMA ADMINISTRATIVA tem como objetivo central concretizar o Estado brasileiro como “SUBSIDIÁRIO”. O grande financiador das políticas públicas. Mas o papel de gerenciador, que pertence ao Estado, querem entregá-lo à INICIATIVA PRIVADA.
Não existe a intenção ou preocupação de melhorar a qualidade dos serviços públicos, ou qualificar as carreiras públicas e seus servidores e acabar com os supersalários.
O próprio coordenador do grupo de trabalho sobre reforma administrativa da Câmara dos Deputados, Pedro Paulo, deputado federal do PSD do Rio de Janeiro, confirmou que o tema dos supersalários não entrará em debate nesse GT, porque é uma matéria com muitas resistências dos interessados.
O tema dos supersalários serve para tentar convencer a população da necessidade da reforma administrativa. Pura falácia. O mesmo modus operandi usado pelo ex-presidente do Brasil, Collor de Melo. O tal caçador de marajás, que não caçou marajá algum, mas demitiu vários servidores públicos com baixos salários. Os chamados de Barnabés.
Precisamos alertar a maior parte da sociedade brasileira, aquela real usuária dos serviços públicos. Que o servidor público é o principal elo entre a sociedade e o Estado. Se esse elo se torna cada vez mais fraco, o povo brasileiro sofrerá as consequências desses ataques aos servidores.
Paulo Lindesay Diretor da Executiva Nacional da ASSIBGE-SN/ Coordenador do Núcleo Sindical Canabarro/Coordenador da Auditoria Cidadã da Dívida Núcleo RJ.

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