Três etapas da colonização sionista na Palestina. Por Francisco Fernandes Ladeira.

Menachem Begin (1913 – 1992) inspeciona membros da Irgun Zvai Leumi, uma organização paramilitar judaica, durante um desfile em Jerusalém, em 12 de agosto de 1948. Foto: UPI/Bettmann Archive/Getty Images

Por Francisco Fernandes Ladeira.

Uma das maiores falácias reproduzidas sobre Israel diz respeito ao Estado sionista ter surgido como uma resposta ao holocausto nazista. No entanto, conforme a história nos mostra, Israel não é um projeto de libertação do povo judeu; mas um projeto colonial europeu, baseado em preceitos racistas e supremacistas.

A partir dessa premissa, em entrevista para o podcast “Raul Ferreira Netto Sem Limites”, o jornalista Breno Altman apontou que a colonização sionista na Palestina não tem nada a ver com os resultados da Segunda Guerra Mundial. Remete ao início do século XX, ocorrendo em três etapas. Na primeira etapa, houve a colonização por povoamento, em que o movimento sionista, com apoio da burguesia judaica, criou duas agências. O Fundo Nacional Judaico, relacionado à compra de terras na Palestina; e a Agência Judaica, cujo objetivo era incentivar a migração de judeus europeus (e, em menor número, de outros continentes) para a Palestina. Assim, foi possível aumentar o contingente de judeus na Palestina, porém ainda em quantidade bastante inferior à população autóctone da região.

Posteriormente, ocorreu a segunda etapa da colonização sionista, baseada na segregação. Foram criadas empresas, escolas, hospitais e fazendas acessíveis somente para judeus. Algo similar ao ocorrido na África do Sul, no contexto do Apartheid, e ao sul dos Estados Unidos, na época das Leis Jim Crow.

Diante dessa nova realidade, os palestinos começaram a perceber que a presença judaica/sionista na região era, de fato, um projeto de colonização, que visava lhes tirar seu território (milenarmente ocupado). Até então, a compra de terras e a migração de judeus pareciam processos “normais”. Desse modo, começaram os primeiros confrontos entre a população indígena (palestinos) e os colonizadores (judeus europeus).

Por fim, como reação aos primeiros conflitos com os palestinos, os sionistas dão início à terceira etapa da colonização da Palestina: o uso da violência. Sob o pretexto de proteção da vida e da propriedade judaica, são criadas três grandes milícias armadas (que, futuramente, dariam origem ao exército israelense): Haganah (vinculada ao “sionismo trabalhista”), Irgun e Lehi (ligadas à direita sionista). Não obstante, as milícias sionistas também contavam com o apoio britânico (então mandatório da Palestina) para esmagar qualquer tipo de revolta do povo palestino contra o status quo.

Além disso, historicamente, os sionistas se alinharam aos maiores antissemitas do continente europeu, como a Rússia czarista e a Alemanha nazista. Logo, não é de se estranhar que, entre os grandes aliados de Tel Aviv, atualmente, estão Donald Trump, Jair Bolsonaro, Javier Milei e Viktor Orbán. Ou seja, tudo o que há de mais nefasto na política global está do lado de Israel.

Francisco Fernandes Ladeira é Doutor em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Licenciado em Geografia pela Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac). Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).

 

A opinião do/a/s autor/a/s não representa necessariamente a opinião de Desacato.info.


Descubra mais sobre Desacato

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Are you human? Please solve:Captcha


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.