Israel deve ouvir “apelo internacional” e encerrar guerra em Gaza, diz chanceler francês

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve atender ao apelo quase unânime da comunidade internacional para colocar um fim à guerra na Faixa de Gaza, afirmou nesta sexta-feira (16) o ministro francês da Europa e das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, durante uma entrevista ao canal France 2

Campo de Jabalia após ataques israelenses na noite de 13 a 14 maio. AFP – BASHAR TALEB

O chanceler francês também disse que Israel deve “permitir a entrada de ajuda humanitária, água e alimentos em Gaza sem qualquer obstáculo ou demora”.

Segundo ele, “há 9.000 crianças acolhidas nos hospitais que ainda funcionam em Gaza desde o início do ano, por desnutrição. Essa situação é inaceitável”, declarou.

A França está mobilizada para “responder à crise humanitária”, disse Barrot. Ele também lembrou que Paris sediou uma conferência internacional um mês após o início da guerra, que arrecadou 1 bilhão de euros para Gaza.

O chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, em 7 de maio de 2025.
O chefe da diplomacia francesa, Jean-Noël Barrot, em 7 de maio de 2025. REUTERS – Abdul Saboor

O Exército israelense realizou novos ataques na quinta-feira (15), matando pelo menos 85 pessoas, segundo equipes de resgate locais, e pelo menos 50 pessoas morreram nesta sexta-feira em bombardeios israelenses no norte do território, segundo a Defesa Civil em Gaza. As buscas por vítimas continuam.

“A ocupação israelense bombardeou a casa ao lado da minha enquanto os moradores ainda estavam dentro”, disse Youssef al-Sultan, morador de Beit Lahia. Ele relatou ataques aéreos, de artilharia e drones. “Há uma onda massiva de deslocamento de civis. Somos tomados pelo medo e o pânico durante a noite.”

A guerra entre Israel e o grupo islâmico Hamas já dura 19 meses e a distribuição de ajuda humanitária foi interrompida em 2 de março. Ela é considerada vital para os 2,4 milhões de habitantes do território.

O presidente Donald Trump e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, conversam em Qasr Al Watan, quinta-feira, 15 de maio de 2025, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. (Foto AP / Alex Brandon) O presidente Donald Trump e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, conversam em Qasr Al Watan, quinta-feira, 15 de maio de 2025, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos. (Foto AP / Alex Brandon) AP – Alex Brandon

 

Em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta que a situação em Gaza, onde moradores estão “morrendo de fome”, será “resolvida”.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse estar “aberto a novas ideias” para levar ajuda a Gaza, após críticas internacionais a um plano apoiado por Washington e Tel Aviv.

Famílias de reféns pedem ação

Após romper uma trégua de dois meses, Israel retomou a ofensiva na Faixa de Gaza em 18 de março, com o objetivo de obter a libertação de todos os reféns sequestrados pelo movimento Hamas em 7 de outubro de 2023.

Durante a ofensiva do movimento palestino, que desencadeou a guerra em Gaza, foram sequestrados 251 israelenses. Deles, 57 permanecem em cativeiro em Gaza. Segundo o Exército do país, 34 estão mortos.

O ataque do Hamas matou 1.218 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em números oficiais. Já a ofensiva israelense deixou pelo menos 53.000 mortos em Gaza, a maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas. A ONU considera o número confiável.

Manifestações em apoio às famílias dos reféns em Gaza ocorrem com frequência em Tel Aviv
Manifestações em apoio às famílias dos reféns em Gaza ocorrem com frequência em Tel Aviv © AHMAD GHARABLI / AFP

A principal associação de famílias de reféns israelenses pediu nesta sexta-feira que Netanyahu não perca uma “oportunidade histórica” para libertar os sequestrados em Gaza.

“As famílias acordaram com o coração pesado e grande preocupação diante da escalada dos ataques e do fim da visita do presidente Trump à região”, disse o Fórum de Famílias de Reféns em nota.

“Vivemos horas dramáticas que determinarão o futuro de nossos familiares. Perder essa oportunidade histórica seria um imenso fracasso”, afirmou o grupo, pedindo que Netanyahu “una forças com Trump” para garantir a libertação dos reféns.

(Com AFP)

 


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