O Movimento de Mulheres Olga Benário em conjunto com estudantes realizou hoje (30), a abertura da Sala Lilás Pela Vida das Mulheres, um espaço de organização política das mulheres na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A sala fica localizada na antiga sede dos Correios, no Centro de Convivência da UFSC, em Florianópolis (SC). Seu objetivo é fortalecer a luta pelo fim do assédio e da violência dentro da universidade, e fortalecer a luta das mulheres pelo poder popular e pelo socialismo.
A Sala surgiu pela necessidade de criar um espaço que seja referência para mulheres buscarem acolhimento, orientações e, principalmente, se organizarem politicamente. No espaço, serão promovidas formações políticas, eventos culturais, reuniões e outras atividades que denunciem o feminicídio e o fascismo em Santa Catarina.
Ela ficará aberta até às 22h em dias úteis para todas as estudantes da universidade, sendo um ponto de referência em uma região mal iluminada da UFSC. A sala também buscará organizar horários de plantões em festas noturnas da UFSC para prevenir o assédio nesses espaços.
A debate sobre assédio circula na UFSC há anos, mas casos recentes de estupro e assédio na região do Campus Trindade têm trazido ainda mais alerta para a discussão.
Recentemente, uma estudante de Engenharia da UFSC criou um grupo no WhatsApp para meninas combinarem de realizar trajetos acompanhadas. Em dois dias, mais de 900 mulheres entraram no grupo, onde muitas desabafaram sobre situações de assédio que passaram na universidade.
Diante da insuficiência das políticas institucionais em combater a violência contra a mulher e as violências de gênero, a Sala Lilás da UFSC possui a intenção de colocar a luta organizada das estudantes como protagonista da jornada pelo fim do assédio e em defesa da vida das mulheres. Dessa maneira, o espaço serve para que mulheres se fortaleçam na luta coletiva enquanto também promovem um lugar seguro para as estudantes da UFSC.
Esta é 2?ª sala lilás construída pelo Movimento de Mulheres Olga Benário, e a 28ª ocupação
organizada pelo Movimento. A primeira foi a Janaína Bezerra Vive, nascida na USP, em novembro de 2024, que homenageia uma estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Piauí que foi vítima de feminicídio aos 22 anos no campus da faculdade onde estudava.
O Movimento também constrói casas de referência urbanas para mulheres em situação de violência, como foi a Casa Antonieta de Barros, no Centro de Florianópolis. O espaço promoveu uma rede de acolhimento, assistência e formação para mulheres, mas sofreu um despejo brutal três meses após sua abertura.
Hoje, 30/04, a partir das 19h, estaremos realizando um Sarau em frente à Sala Lilás para divulgar o espaço. Haverá atrações políticas e culturais presentes, e venda de comidas e bebidas para financiar a manutenção da sala.
Isadora Miranda/Jornal A Verdade
[email protected]
PIX: [email protected]
Instagram: @salalilas.ufsc
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