
Ângelo foi seu nome de registro, dado e almejado em tempos da integração nacional por um Estado egoísta, opressor e racista.
Ângelo do cigarro de palha, do chapéu retorcido, de um sorriso esperto e maroto, mas de coração inquieto diante do sofrimento de seu povo.
Ângelo Kretã, assim ficou conhecido, guerreiro sem medo dos brancos invasores, por quem sempre foi temido e perseguido.
Kretã, nome de pessoa valente, palavra entoada por multidões de todos os tipos de gente, que tanto o admiravam, mas outros, ao ouvi-la, odiavam.
Kretã foi firme e determinado. Nunca, jamais, abandonou ou deixou de lado os seus, por eles vivia, lutava, sofria e também morria.
Querido por tantos, foi vereador eleito e o desejavam no parlamento, para de lá, de cima da tribuna, clamar e exigir respeito aos direitos.
Os tempos não eram simples, os colonizadores não sossegavam, os governos militares contra aos povos indígenas tramavam.
De dia, como de noite, a paz não irradiava. Perseguição, ameaças e emboscadas eram sempre projetadas por aqueles que buscavam impedir que as terras fossem demarcadas.
Ângelo Kretã, do povo Kaingang, em 29 de janeiro de 1980 – guerreiro de força e firmeza – ancestralizou, seu corpo foi achado, mas os assassinos até hoje não foram identificados.
Kretã virou memória boa, permanece entre os seus irmãos e irmãs Kaingang, inspirando lutas, sonhos, esperanças e coragem para seguir em frente.
Kretã é multiplicação, não o mataram, tornou-se semente e semeadura, esparrama-se pelos territórios, dando sentido e motivando os movimentos que resistem e exigem terra, vida e justiça.
Ele grita: “Alto lá, essa terra tem dono!” Assim como ainda grita Sepé Tiaraju numa constelação de guerreiras e guerreiros que se somam aos que exigem Demarcação Já! Não ao Marco Temporal.
Salve, Salve Ângelo Kretã, salve, salve todos mártires da caminhada!
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