A pandemia trouxe uma situação trágica para as mulheres com o aumento da violência doméstica, a intensificação do trabalho em casa, que impões até triplas jornadas. Nesse cenário, o próprio secretário geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, alertou publicamente a existência de “horrível aumento global da violência doméstica” dirigida a mulheres e meninas, em meio à quarentena imposta pelos governos na resposta à pandemia da Covid-19.
A 14ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgada em outubro de 2020, sob o contexto da pandemia da covid-19, reafirmou a crescente violência de gênero no período. Homicídios dolosos de mulheres (quando há a intenção de matar) aumentaram de 1.834 para 1.861, um acréscimo de 1,5%. Também cresceu o número de vítimas de feminicídio (assassinatos que envolvem questão de gênero e violência doméstica): de 636 para 648, um aumento de 1,9%. Isto, quando muitas mulheres, além da violência sofrida, não saíram de casa para não se expor ao vírus. É lastimável.
Mesmo assim, as mulheres não perderam o protagonismo das lutas ao denunciar, exigir direitos e o direito à vida. Não deixaram de lado suas pautas específicas como o direito ao aborto, conquistando após décadas de luta feminista pela ampliação de direitos sexuais e reprodutivos, a lei pela despenalização e legalização do aborto e atenção pós-aborto que foi aprovada nos últimos dias de 2020.
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