Vaga-lumes, um dos animais mais mágicos da natureza, estão ameaçados de extinção

Foto: Pixabay

Por Suzana Camargo.

Começo este texto contando uma experiência pessoal. Na minha infância, há muitas décadas, quando passava a maior parte do meu dia (e da noite), brincando no quintal da casa dos meus avós, em Curitiba, um dos momentos mais esperados era o encontro com os vaga-lumes. Eu simplesmente adorava ver o brilho deles na noite. Era algo mágico, inesquecível.

Infelizmente, em um artigo divulgado recentemente na publicação Bioscience, cientistas afirmam que, como outros insetos, os vaga-lumes estão em risco de extinção.

Há mais de 2 mil espécies de vaga-lumes no mundo, que pela biologia, são considerados besouros do gênero Pyrophorus. Esses animais são (ou melhor, eram) encontrados nos mais diversos ecossistemas: pântanos, pastagens, florestas, parques urbanos…

Todavia, nunca antes havia sido feito um estudo mais aprofundado sobre a situação atual dos vaga-lumes no planeta. Pesquisadores da Tufts University, em Massachusetts, nos Estados Unidos, coletaram dados e números sobre as espécies no mundo inteiro.

“O declínio de insetos e suas causas atraíram considerável atenção recente. Entretanto, vaga-lumes são insetos icônicos, cujas exibições conspícuas de namoro bioluminescente carregam significado cultural único, dando-lhes valor econômico como atrações ecoturísticas”, escreveram os cientistas.

Os vaga-lumes usam o seu brilho, a bioluminescência, para atrair parceiros e se reproduzir.

Vaga-lumes, um dos animais mais mágicos da natureza, estão ameaçados de extinção

O resultado do levantamento aponta uma triste realidade. Em quase todas as regiões do planeta há uma redução significativa da população desses besouros. Os principais responsáveis por essa tragédia são o desmatamento, pesticidas, além da poluição visual, provocada pela luz artificial.

Esta última descoberta surpreendeu bastante os pesquisadores, já que o excesso de luz artificial pode atrapalhar a reprodução dos vaga-lumes.

“Além de interromper os biorritmos naturais – incluindo os nossos -, a poluição luminosa realmente atrapalha os rituais de acasalamento dos vaga-lumes”, destaca Avalon Owens, biólogo da Tufts e co-autor do estudo. Ele destaca que a substituição de lâmpadas fluorescentes para LEDs, energeticamente mais eficientes e brilhantes demais, não ajuda. “Mais brilhante não é necessariamente melhor”, diz.

Já a exposição a inseticidas nesses insetos ocorre durante os estágios larvais – os vaga-lumes juvenis passam até dois anos vivendo abaixo do solo ou debaixo d’água. E pesticidas como organofosforados e neonicotinóides são projetados para matar pragas, mas também afetam “insetos benéficos”.

Mas o que o novo estudo ressalta é mesmo que o desmatamento é o principal vilão para esses seres fascinantes da natureza.

“Muitas espécies de animais silvestres estão em declínio porque seu habitat está diminuindo, portanto não foi uma grande surpresa observarmos que a perda de habitat fosse considerada a maior ameaça”, diz Sarah Lewis, professora da Tufs e principal autora do estudo. “Mas no caso dos vaga-lumes, eles são muito afetados quando seu habitat desaparece porque precisam de condições especiais para completar seu ciclo de vida”, explica.

Um exemplo é o Pteroptyx tener, da Malásia, famoso por seu brilhar de luz sincronizado. Ele vive em manguezais e a conversão do mangue em plantações de óleo de palma e fazendas de aquicultura está impactando sua sobrevivência.

Os cientistas americanos esperam que, ao deixar mais claro quais são as ameaças aos vaga-lumes e avaliar o status de conservação das espécies em todo mundo, será mais fácil tentar preservar essas luzes mágicas para as futuras gerações.

“Nosso objetivo é disponibilizar esse conhecimento para administradores de terras, formuladores de políticas e fãs de vaga-lume em qualquer lugar”, diz Sonny Wong, outro co-autor do artigo. “Queremos manter os vaga-lumes iluminando nossas noites por muito, muito tempo.”

*Com informações e textos da Tufts University

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