Universidade afro-brasileira criada no governo Lula sofre com bloqueio de recursos

Foto: Brasil de Fato CE

Por Celso Aquino.

Implementada no período em que houve um aumento significativo da importância econômica e política da relação Brasil x África, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) foi criada em 2010 pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva após dois anos de levantamento e estudos para sua concretização. Constituída pelo princípio da cooperação solidária, conta hoje com 5.026 discentes, provenientes do Brasil, Angola, Cabo Verde, Costa do Marfim, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. A UNILAB é composta por quatro campi, com 23 cursos de graduação e 10 de pós-graduação.

Para o professor Eduardo Machado, do Instituto de Humanidades e Letras, a UNILAB é “uma universidade pública inovadora em vários sentidos”, diz “ela é uma instituição de ensino, pesquisa e extensão que tem um compromisso concreto com a cooperação internacional, portanto, uma Universidade internacionalizada, contribuindo, principalmente com os países que compõe a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”. Ainda cumpre um papel na democratização do ensino superior, englobando um segmento social que historicamente foi excluído da educação superior, da interiorização das Universidades federais, contribuindo organicamente com a região do maciço do Baturité, e aos poucos com os municípios que compõe a zona metropolitana de Fortaleza.

A Universidade que já formou milhares de estudantes brasileiros e mais de mil estudantes africanos ao longo dos seus nove anos de existência, poderá parar de funcionar no mês de agosto desse ano. O corte no Ministério da educação no Governo Bolsonaro, que nas instituições públicas de ensino superior diminuem em 30% nas verbas de custeio, atribuída para pagamento de água, energia, segurança, limpeza e nas verbas de investimento, destinada a reformas e construções, por exemplo, impactam ainda mais as instituições de ensino com pouco tempo de existência, que é o caso da UNILAB.

Para reverter os cortes, estudantes, professores e técnicos da universidade estão em processo de mobilização. Realizando atividades que mostram para a sociedade o quanto de pesquisas e trabalhos são desenvolvidos na instituição, bem como realizando atos públicos e aulas abertas para a população. Para Rodrigo, membro do Diretório Central dos Estudantes da UNILAB, “é importante que todos se envolvam no processo de luta em defesa da educação brasileira”.

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