Uma greve da tarifa em Boston

Mais um exemplo de que não estamos a sós e que governos e empresas privadas de transporte não sugam apenas o nosso dinheiro aqui nos tristes trópicos. Nesta última sexta-feira, 13, um grupo de usuários de transporte de Boston, Massachusetts, EUA, articulou um dia de ação e debate sobre a cobrança de tarifas no transporte coletivo. A Coalização pela Greve da Tarifa esteve presente em diversas estações de metrô para abrir as portas das catracas eletrônicas, proporcionando um dia de tarifa zero para quem estivesse por perto.

O ponto de partida dos caras, que agora querem repetir a ação em todas as sextas-feiras (Sextas sem tarifa!) é semelhante às nossas experiências brasileiras: aumento nos preços das passagens (no caso deles, em 23%). A partir daí, a Coalização decidiu ligar alguns pontos, totalmente imersa no contexto do movimento Occupy: há uma imensa parcela da população passando por dificuldades na luta cotidiana pela sobrevivência, e é esta maioria que está trabalhando para gerar riquezas para a minoria. Isso está errado e é preciso inverter as prioridades. O slogan usado por eles coloca a questão no adequado campo da luta de classes: “Os bancos não estão pagando nada, por que nós deveríamos? O transporte público deve ser gratuito” – referem-se ao socorro que o governo americano prestou (com dinheiro da maioria) aos bancos falidos, enquanto os trabalhadores e trabalhadoras precisam “apertar os cintos” e trabalhar mais.

Os integrantes da Greve da Tarifa defendem que há dinheiro suficiente para que não sejam necessários aumentos e que o transporte coletivo poderia ser mais barato ou mesmo gratuito. Para isso, bastaria utilizar o lucro excedente das grandes empresas e dos ricos para benefício dos serviços públicos e das necessidades da população. E de forma inteligente, um ativista argumentou que aumentos nas tarifas significam redução salarial dos trabalhadores (naturalmente os empregadores não são generosos ao ponto de aumentar os ganhos da turma, para compensar maiores custos com deslocamento, ainda que os deslocamentos sejam fundamentais para a cadeia de trabalho e consumo). “E os salários já são baixos demais”, lembra.

Nossa luta e nossos motivos são universais!

Fonte: http://tarifazero.org

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