Uma África além da miséria

 Por Cauê Seigner Ameni.

Como tornar o jornalismo independente profundo e sustentável? A cobertura internacional feita ano passado sobre a primavera árabe mostrou quanto a falta de conhecimento cultural e as fontes viciadas usadas pelos veículos de comunicação tradicionais podem prejudicar a qualidade do noticiário. Foi o que lembrou, quinta-feira passada (12/07), no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, Reginaldo Nasser, cientista político e professor de Comunicação Social da PUC-SP. Ao citar o caso da Líbia, ele confessou-se assustado com o uso excessivo do termo “tribos” para relacionar aos rebeldes, num país em que mais de 80% da população vive em cidades.

projeto Afreaka, uma recente iniciativa lançada pela jornalista Flora Pereira o pelo designer Natan de Aquino Giuliano, busca uma alternativa a estes preconceitos voltando-se para o continente onde surgiu o ser humano. Fugindo do estigma da miséria – super-explorado nos noticiários – procura entender as tendências culturais da África e captar suas influências em todo o mundo.

Viajando por oito países, a dupla buscará contar histórias pouco conhecidas além de suas fronteiras. O projeto criará um site. Cada post tentará enxergar o lado descolado do continente, buscando as expressões coletivas e individuais das culturas locais e os valores a elas agregados; traduzindo-os em textos, fotos e trabalhos gráficos.

A iniciativa apóia-se no tripé alteridade, cultura e raízes, conta a jornalista Flora. “A alteridade é um modo construtivo para entender a si mesmo, olhando para o outro. Estudar o que é diferente e compreender a diversidade pode fazer enxergar melhor de onde viemos e aonde queremos ir. Nosso ângulo para esse olhar é a cultura, que facilita a interpretação de milhares de anos de história, tradições, conceitos, filosofias e costumes”.

Os traços culturais entre África e América são insuficientemente conhecidos. “Sabemos da história europeia e praticamos a cultura norte-americana, mas pouco compreendemos nossas raízes negras. Queremos, com o site, trazer para mais perto a realidade africana para, então, entendermos melhor a brasileira.” relata a jornalista. E lembra que mais da metade do país verde e amarelo é descendente do continente africano. No Brasil o tempero africano está por toda parte. O português falado aqui usa aproximadamente 1500 palavras de origem africana. Come-se diariamente pratos típicos de Angola, além de suas praticas religiosas e artísticas estarem profundamente arraigadas em nossos costumes culturais.

Para dar vida ao projeto, a dupla está utilizando o crowdfunding do Catarse, também conhecido como financiamento coletivo. O internauta escolhe um valor para contribuir e ganha, em troca, recompensas exclusivas do projeto, que estabelece uma quantia e uma data limite para a arrecadação da verba. O trabalho só acontece se atingir 100% do valor pedido — R$ 29,3 mil. Caso contrário, os contribuintes recebem o dinheiro de volta. O mecanismo é uma das formas alternativas de financiar colaborativamente projetos de forma independente e fortalecer a ideia do poder do compartilhamento livre de ideias.

Mais informações
Página no Catarse para apoio: catarse.me/afreaka
Página no Facebook: http://www.facebook.com/pages/siteafreaka
Os custos do projeto AFREAKA são transparentes e podem ser acessados.
O site entra no ar em agosto, mas já pode ser acessado parcialmente no link.
Para qualquer crítica, sugestão e proposta de parceria, não hesite entrar em contato: [email protected]

Fonte: http://rede.outraspalavras.net

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