Um ano após incêndio, funcionários trabalham para resgatar acervo do Museu Nacional

Equipe de salvamento formada por servidores da instituição trabalha desde o dia seguinte da tragédia

Museu Nacional do Rio de Janeiro continua interditado pela Defesa Civil após ter sido destruído por um incêndio na noite do último domingo.

Na última segunda-feira (2) se completou um ano do incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. A instituição, que é administrada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve boa parte da estrutura do prédio sede e cerca de 90% do acervo destruído no desastre. Desde então, a comunidade de pesquisadores e amigos do Museu tem se esforçado para recuperar e reconstruir a instituição.

O primeiro passo foi a criação do Núcleo de Resgate de Acervos do Museu Nacional, logo após o incêndio, como uma equipe de salvamento formada por servidores da instituição. Essa foi uma estratégia importante na avaliação de Luciana Carvalho, paleontóloga e vice-coordenadora do núcleo.

“A gente entendeu que quem poderia conhecer esse material resgatado, as condições e o estado, seria quem trabalhava com esse acervo. Quando percebemos que tinha o que salvar, nos prontificamos a trabalhar para isso. Não precisou ninguém ser designado. Continuamos nesse processo. Ainda temos 21 salas que precisam ser vistoriadas para retirar acervo científico e essa etapa deve seguir até o primeiro semestre de 2020”, explica em entrevista concedida ao Programa Brasil de Fato Rio de Janeiro, na Rádio Bandeirantes 1360 AM.

No dia seguinte ao incêndio, a equipe já identificou que existia parte do acervo que tinha resistido ao incêndio e iniciou o trabalho de resgate. “No primeiro momento, nós não pudemos acessar muitos espaços do prédio, porque teve um desabamento do primeiro andar sobre o segundo, o que gerou uma grande quantidade de escombros. Então, precisamos dar um tempo, é um trabalho lento”, acrescenta.

Uma das peças resgatadas pela equipe um mês e meio após o incêndio foi Luzia, fóssil humano mais antigo das Américas. Estima-se que Luzia tenha vivido há mais de 11 mil anos na região onde hoje fica o sítio arqueológico mineiro da Lapa Vermelha.

“Havia no Museu uma área dedicada a ela, mas ela não estava lá e, sim, estava dentro de uma sala da antropologia biológica, dentro de um armário e uma caixa de metal, bem protegida. Apesar de ter sofrido um pouco com o calor, ela resistiu”, conta a pesquisadora.

Cortes

Nesta semana, a UFRJ anunciou uma série de suspensão de serviços como telefonia, transporte e manutenção externa, para poder se manter de portas abertas. Com o  contingenciamento a universidades federais, anunciado em maio, a UFRJ sofreu um corte de 44% de suas verbas de custeio — de R$ 331,6 milhões, previstos pela Lei Orçamentária Anual, para R$ 185,8 milhões.

Ainda que o Museu Nacional tenha verba destinada para a reforma, a pesquisadora destaca que os cortes afetam o trabalho dos servidores de toda a instituição. “Hoje, por exemplo, recebemos uma comunicação da UFRJ falando de vários cortes que estão sendo feitos porque o orçamento não foi completo esse ano. Vamos ter mais cortes ainda. Estamos vivendo um momento muito difícil, e justo agora acontece uma tragédia como essa do Museu. Isso complica ainda mais o trabalho que estamos fazendo”, acrescenta.

A direção do Museu estima que sua reabertura parcial aconteça em 2022, na data de comemoração do bicentenário da Independência do Brasil. As obras de reconstrução da fachada do prédio histórico devem começar no mês de setembro deste ano.

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