Trump contra os “sonhadores”

dreamers
Educação, não deportação. Foto: AP

Por Ana Rosa Moreno, Puebla, México, para Desacato.info.

Tradução: Elissandro Santana.

(Port./Esp.)

O empresário norte-americano Donald Trump, desde a candidatura e até agora, manteve uma postura muito dura de restrição aos imigrantes ilegais, em especial, contra os mexicanos. Como presidente, toda a agenda política se dirigiu a programas de deportações, restrições a solicitações de visto e à possível construção do muro sobre território mexicano. Agora, está contra os sonhadores (N. da R. conhecidos como dreamers), que são jovens que chegaram ainda crianças de maneira ilegal com os pais aos Estados Unidos, mas que seguiram os estudos no país estadunidense pagando os mesmos valores, com as mesmas obrigações de qualquer estudante dos EUA, além de terem adotado a cultura estadunidense.

Há alguns dias, o presidente Donald Trump deu por finalizado o programa DACA: A ação diferida para os que chegaram ainda criança. O DACA (sigla em inglês) é um documento sobre migração do governo dos Estados Unidos com o objetivo de apoiar e beneficiar àqueles jovens imigrantes que chegaram ainda pequenos aos Estados Unidos e, por isso, não estão em situação legal, porém possuem certo nível de formação. O programa focou mais nos “sonhadores”, aqueles que desejam continuar os estudos superiores no país. Esta medida foi anunciada no dia 15 de junho de 2012 pela secretária Janet Napolitano e pelo presidente em exercício Barack Obama confirmou esta decisão em uma conferência de imprensa.

O U.S. Citizenship and Imigration Services (USCIS) considera que uma pessoa pode solicitar a ação deferida se:

  • É menor de 31 anos de idade até 15 de junho de 2012;
  • Chegou aos Estados Unidos antes de completar 16 anos de idade;
  • Morou continuamente nos Estados Unidos desde 15 de junho de 2007, até o presente;
  • Estave fisicamente presente nos Estados Unidos em 15 de junho de 2012, e no momento de pedir permanência ao USCIS;
  • Não possuía situação legal em 15 de junho;
  • Encontra-se atualmente na escola, terminou e obteve o diploma de ensino médio, obteve certificado de Desenvolvimento de Educação Geral (GED), ou e um veterano com permissão honorável da Guarda Costeira ou das Forças Armadas dos Estados Unidos, e
  • Não ser acusada por crime grave, delito de menor importância, ou três ou mais que três pequenos delitos, nem representa uma ameaça à segurança nacional ou à segurança pública. https://www.uscis.gov/es.

A ação diferida não é uma lei e não outorga um status legal às pessoas que são beneficiárias dela. Os beneficiários atuais do DACA seguem como ilegais nos Estados Unidos e quando terminar a ação de diferimento ou se cancela sua remoção ou não serão mais aprovados e não poderão ser elegíveis em cargos e/ou empregos.

Os indivíduos aprovados para o DACA são considerados casos de baixa prioridade para deportação, uma classificação determinada pelo Departamento de Segurança Interna (DHS).

Até de março de 2017, 790 mil pedidos foram emitidos para obter os benefícios da DACA, dos quais 90 foram aceitos, do montante, 618342 são de mexicanos, que residem em maior porcentagem em cinco estados: Califórnia, Texas, Nova York, Flórida e Illinois. Seguem-se El Salvador, com 28 mil nacionais. Depois, há Guatemala com 19.792; Honduras com 18.262; Peru com 9 mil; Coréia do Sul com 7.250; Brasil com 7.361; Equador com 6.696 e Colômbia com 6.591, entre outros. Fonte: Assuntos Internacionais da América Latina.

Graças ao DACA, 1 de 4 beneficiários poderia trabalhar para pagar os estudos, 20% dos sonhadores poderiam se matricular em uma universidade e 11% dos candidatos poderiam completar seus estudos.

Mas o sonho desses jovens, ao que parece, tornou-se um pesadelo desde que, na terça-feira, 5 de setembro, Jeff Sessions, procurador-geral dos EUA, anunciou o cancelamento do programa DACA. Esta decisão afeta quase 800 mil jovens imigrantes que de alguma forma foram protegidos da deportação.

“Estou aqui para anunciar que o programa DACA, promulgado pela administração Obama, será encerrado. Isso não significa que eles sejam pessoas más ou que nossa nação os despreza ou diminui de forma alguma. Significa que nós estamos aplicando, adequadamente, nossas leis à medida que o Congresso as aprova”. afirmou Sessions.

Esta decisão foi tomada sob a justificativa do desrespeito ao processo legislativo do passado governo, já que todas as políticas de imigração devem respeitar os cidadãos dos EUA e os imigrantes que estão aqui legalmente.

Mais de 300 líderes empresariais através de uma carta (LETRA ABERTA DOS LÍDERES DA INDÚSTRIA NORTE-AMERICANA NO DACA) lamentaram a decisão do governo e exigiram que os direitos dos sonhadores fossem protegidos. Empresas como Google, AT & T, Amazon e Facebook saíram em defesa dos sonhadores; elas definem essa decisão como uma ação cruel.

“Este é um dia triste para o nosso país. A decisão de acabar com o DACA não é apenas um erro, mas é particularmente cruel oferecer aos jovens o Sonho Americano, para encorajá-los a sair das sombras e confiar no nosso governo, e depois puni-los por isso”, escreveu Zuckerberg em sua página no Facebook.

A resposta dos sonhadores foi imediata, cerca de 200 imigrantes e ativistas chegaram à Casa Branca, pouco antes do anúncio do fim do programa DACA. “A luta está apenas começando”, disse o líder do grupo, Gustavo Torres, da Casa Maryland a Notimex, referindo-se ao fato de que a conclusão do DACA incluiria um atraso de seis meses para a implementação.

A comitiva dos sonhadores anunciou que o anúncio no DACA lançará uma campanha de mobilizações e ações para buscar que tanto os democratas quanto os republicanos da Câmara dos Deputados e do Senado aprovem uma solução permanente nos próximos seis meses.

O governo mexicano que já previa essa situação e preocupado com esses jovens, implementou um plano para poder absorvê-los nas instituições de nível superior e superior, para isso, projetou o programa de espanhol para não hispano-falantes, módulos de aconselhamento e modificou o regras de funcionamento do Programa Nacional de Bolsas de Estudo para que possam ter acesso a apoios educacionais.

Não sabemos se funcionará porque nenhum programa de educação funcionou para eles, tampouco podem parar e dizer que eles podem garantir um lugar nas escolas públicas se não houver assentos ou garantias para os que já estão no próprio país. Mas os “sonhadores” não se renderão porque pagam pela educação com preços mais altos do que os nacionais nos Estados Unidos e com limitações em apoios e bolsas de estudo.

O futuro dos “sonhadores” é incerto e devastador, porque no país em que vivem não os querem e no país de origem não lhes garantem uma vida decente como estudantes.

 


Trump contra los dreamers

Por Ana Rosa Moreno, Puebla, México, para Desacato.info

El empresario norteamericano Donald Trump, desde su candidatura, ha mantenido una postura muy fuerte y estricta contra los inmigrantes ilegales, en especial, contra los mexicanos. Como presidente,  toda su agenda política se ha dirigido a programas de deportaciones, limitaciones a las solicitudes de  visas, la posible construcción del muro sobre territorio mexicano. Ahora se ha ido contra los dreamers, que son jóvenes que llegaron de niños de manera ilegal con sus padres, pero que han seguido sus estudios en el país estadounidense pagando las mismas cuotas, con las mismas obligaciones que cualquier estudiante de ese país, además de haber adoptado la cultura estadounidense.

Hace unos días el presidente Donald Trump dio por terminado el programa DACA. La Acción diferida para los llegados en la infancia o DACA por sus siglas en inglés es una decisión migratoria del gobierno de los Estados Unidos con el fin de apoyar y beneficiar a aquellos jóvenes inmigrantes que llegaron de niños a los Estados Unidos y, por lo mismo, no cuentan con un estatus legal pero tienen cierto nivel académico. El programa se enfocó más en los dreamers, aquellos que quieren continuar sus estudios superiores en ese país. Esta medida fue anunciada el 15 de junio del 2012 por la secretaria Janet Napolitano y, el presidente en cargo, Barack Obama, reafirmó esta decisión en una conferencia de prensa.

El U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) considera que una persona puede solicitar la acción diferida si:

  • Es menor de 31 años de edad al 15 de junio de 2012
  • Llegó a los Estados Unidos antes de cumplir 16 años de edad
  • Ha residido continuamente en Estados Unidos desde el 15 de junio de 2007, hasta el presente
  • Estaba físicamente presente en Estados Unidos el 15 de junio de 2012, y al momento de presentar la solicitud ante el USCIS
  • No tenía estatus legal el 15 de junio
  • Se encuentra actualmente en la escuela, se ha graduado u obtenido un certificado de finalización de la escuela secundaria, ha obtenido un Certificado de?Desarrollo de Educación General (GED), o es un veterano con licenciamiento honorable de la Guardia Costera o las Fuerzas Armadas de los Estados Unidos, y
  • No ha sido convicto de un delito grave, delito menos de carácter significativo, o tres o más delitos menores, ni representa una amenaza a la seguridad nacional o a la seguridad pública. https://www.uscis.gov/es

La acción diferida no es una ley y no otorga un estatus legal a las personas que son beneficiarios de ella. Los beneficiarios actuales de DACA siguen presentes como ilegales en Estados Unidos y cuando termina su acción diferida o se le cancela su remoción ya no será aprobada ni podrá ser elegible a un empleo legal.

Los individuos aprobados para DACA son considerados casos de baja prioridad para la deportación, una clasificación determinada por el Departamento de Seguridad Nacional (Department of Homeland Security?o DHS, por sus siglas en inglés).

Hasta marzo de 2017, 790.000 solicitudes fueron expedidas para obtener los beneficios de DACA, el 90% de las solicitudes fueron aceptadas, de esa cantidad 618342 son de mexicanos, quienes residen en mayor porcentaje en cinco estados: California, Texas, Nueva York, Florida e Illinois. Le sigue El Salvador, con 28 mil nacionales. Después está Guatemala con 19 mil 792; Honduras con 18 mil 262; Perú con 9 mil; Corea del Sur con 7 mil 250; Brasil con 7 mil 361; Ecuador con 6 mil 696 y Colombia con 6 mil 591, entre otros. Fuente: Foreing Affairs Latinoamérica.

Gracias a DACA, 1 de 4 beneficiados podía trabajar para pagar sus estudios, el 20% de los dreamers pudo matricularse a una universidad y el 11% de los solicitantes pudo terminar sus estudios superiores.

Pero el sueño de estos jóvenes, al parecer, se ha convertido en pesadilla ya que el martes 5 de septiembre, Jeff Sessions, fiscal general de Estados Unidos, anunció la cancelación del programa DACA. Esta decisión afecta a casi  800.000 jóvenes inmigrantes?que de alguna manera estaban protegidos de la deportación.

“Estoy aquí para anunciar que el programa DACA, promulgado por la Administración de Obama, va a ser rescindido. Esto no significa que sean personas malas o que nuestra nación las desprecie o las rebaje de ninguna manera. Significa que estamos aplicando adecuadamente nuestras leyes a medida que el Congreso las aprueba”, dijo Sessions. sta decisión se tomó bajo la justificación del irrespeto al proceso legislativo del gobierno pasado ya que todas las políticas migratorias deben respetar a los ciudadanos estadounidenses y a los inmigrantes que están aquí  de forma legal.

Más de 300 líderes empresariales a través de una carta  (OPEN LETTER FROM-LEADERS OF AMERICAN INDUSTRY ON DACA) lamentaron  la decisión del gobierno y exigieron que los  derechos de los dreamers sean protegidos. Empresas como Google, AT&T, Amazon y Facebook salieron en defensa de los dreamers, definen esta decisión una acción cruel.

“Este es un día triste para nuestro país. La decisión de poner fin a la DACA no es sólo un error, sino que es particularmente cruel ofrecer a los jóvenes el Sueño Americano, animarlos a salir de las sombras y confiar en nuestro gobierno, y luego castigarlos por ello”, escribió Zuckerberg en su página de Facebook.

La respuesta de los dreamers fue inmediata, alrededor de 200 inmigrantes y activistas llegaron a la Casa Blanca,  momentos antes de que de oficialistas el anuncio del fin del programa DACA.  “La lucha apenas comienza”, dijo a Notimex el líder del grupo, Gustavo Torres, de la organización Casa Maryland, en alusión al hecho de que la terminación del DACA incluiría una demora de seis meses para su implementación.

La comitiva de “dreamers” coincidió en que el anuncio sobre el DACA pondrá en marcha una campaña de movilizaciones y acciones para buscar que tanto demócratas como republicanos de la Cámara de Representantes y del Senado aprueben una solución permanente dentro de los siguientes seis meses.

El gobierno mexicano que ya veía venir esta situación y preocupado por estos jóvenes ha implementado un plan para poder absorberlos en las instituciones de nivel media superior y superior, para ello, ha diseñado el Programa Español para no hispanohablantes, módulos de asesoría  y ha modificado las reglas de operación del Programa Nacional de Becas para que puedan acceder a los apoyos educativos.

No sabemos si funcionará porque ningún programa para la educación les ha funcionado, tampoco se pueden parar y decir que pueden garantizar lugar en las escuelas públicas si para nosotros los nacionales no hay cupo ni garantías. Pero también, los dreamers no se rendirán porque ellos pagan por la educación con precios superiores a la de los nacionales en los Estados Unidos  y con limitaciones en los apoyos y becas.

El futuro de los dreamers es incierto y devastador porque en el país donde residen no los quieren y el país de origen no les garantiza una vida digna como estudiantes.

 

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