Tribunal nega pedido de prisão domiciliar a paraguaios presos por Curuguaty

Publicado em: 10/04/2014 às 08:40
Tribunal nega pedido de prisão domiciliar a paraguaios presos por Curuguaty

Cinco trabalhadores do campo completaram 55 dias de jejum. Massacre em zona rural levou ao golpe contra Fernando Lugo

parAGUAY

Um tribunal da cidade de Salto del Guairá não concedeu o benefício da prisão domiciliar a cinco camponeses que estão há 55 dias em greve de fome no Paraguai. Eles são acusados pelos massacre de Curuguaty, episódio que foi usado como justificativa para o golpe de Estado contra o presidente Fernando Lugo em junho de 2012.

O conflito aconteceu em terras da Propriedade Campos Morumbí S.A., de dois mil hectares, ocupadas por militantes do movimento pela reforma agrária. Efetivos da Polícia Nacional e do Grupo de Operações Especiais (GEO) tentaram desalojar o grupo para cumprir uma ordem de reintegração de posse e um tiroteio deixou 17 mortos, 11 civis e sete policiais.

O proprietário das terras seria o empresário Blas Riquelme, ex-senador do Partido Colorado. Para os militantes, pertence ao Estado paraguaio, já que era uma propriedade adquirida irregularmente durante a ditadura de Stroessner.

“Evidentemente, foi um massacre deliberado, programado para produzir o que posteriormente ocorreu”, disse à época à agência Efe José Rodriguez, dirigente da Liga Nacional de “Carperos”, como são chamados os sem-terras no Paraguai. Segundo ele, a versão dos sobreviventes de Curuguaty é de que o primeiro disparo veio da polícia.

Durante a investigação, diversas denúncias de irregularidades, como adulteramento de provas, foram feitas por militantes.

Reforma agrária

O massacre de Curuguaty tocou um dos temas mais sensíveis no país: a alta concentração das terras e a grande pobreza no campo. No Paraguai, 80% de terras férteis estão nas mãos de 2% da população, concentrando-se no agronegócio de alta produtividade, que gerou um crescimento econômico de 14,5% em 2010, mas ao custo de uma taxa de 39% da população vivendo abaixo dos níveis de pobreza e 19% em situação de pobreza extrema, segundo dados do censo nacional.

A reforma agrária, para acabar com essa dívida antiga com os setores mais humildes camponeses do Paraguai, foi uma das principais promessas eleitorais de Lugo.

Fonte:  Opera Mundi

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