Três de fevereiro: um dia de luta para os jornalistas

Publicado em: 03/02/2014 às 08:22
Três de fevereiro: um dia de luta para os jornalistas

brancoRede Brasil Amazônia de Comunicação, grupo da família Barbalho, já demitiu oito profissionais que ajudaram a organizar greve histórica em setembro, no Pará. Justiça do Trabalho julgará demissões nesta segunda-feira

Por Por Movimento Jornalista Vale Mais.

Será realizada nesta segunda-feira (03), às 8h20, a audiência que julgará a ação coletiva de reintegração e indenização por assédio moral movida pelo Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor-PA) contra o Grupo RBA, de propriedade da família Barbalho. A audiência estava marcada para o dia 17 de dezembro de 2013. Na ocasião, a assessoria jurídica da empresa apresentou um volume de documentos que levou a um ‘pedido de vista’ do processo, adiando então a audiência para o próximo dia 3 – para que a juíza responsável pelo caso tivesse mais tempo de analisar todo o material.

Em novembro, os jornalistas Felipe Melo, Cristiane Paiva, Amanda Aguiar e Adison Ferrera foram dispensados sem aviso prévio e sem justa causa, em clara retaliação por terem participado ativamente da greve do Diário do Pará e Diário Online, realizada em setembro. A demissão dos quatro se deu imediatamente após o fim da estabilidade firmada no acordo coletivo que assinalou o fim do movimento paredista.

De lá pra cá, o grupo RBA já demitiu oito jornalistas. O caso mais recente foi o da editora Yorranna Oliveira, dispensada na portaria da empresa no dia 8 de janeiro, quando chegava para cumprir mais um dia de trabalho. Como nas demissões anteriores, a jornalista foi submetida à assinatura dos documentos no balcão de recepção, em uma situação humilhante. Uma semana antes, no dia 3, as jornalistas Edmê Gomes (Diário) e Daniele Brabo (DOL) foram demitidas da mesma forma constrangedora.

Minimizando o caso, em entrevista ao Portal Imprensa, o diretor-geral do grupo afirmou que as demissões constituem uma decisão meramente administrativa e negou que tenham sido motivadas pelo sentimento de vingança. Camilo Centeno disse que estas são acusações “totalmente infundadas”. “O grupo tem mais de 800 pessoas, estamos falando de quatro demissões. O número é absurdamente ridículo, é mínimo. É uma rotina, a empresa faz os ajustes conforme a necessidade dela. São ex-funcionários que por algum motivo não interessavam mais à gerência, não entendo essa ideia de retaliação”, disse.

PERSEGUIÇÃO

A perseguição no grupo RBA começou muito antes das demissões dos jornalistas. Tão logo a greve foi anunciada, no dia 16 de setembro, o jornalista Leonardo Fernandes foi ilegalmente dispensado. O retorno dos grevistas ao trabalho foi marcado por mais retaliações. Todos os que aderiram ao movimento foram remanejados para outros turnos e editorias, em uma generalizada dança das cadeiras. Repórteres foram impedidos de assinar os próprios textos, ainda que eles rendessem manchetes de página ou de capa.

Demissões após uma greve não são naturais. A greve é um direito amparado pela Constituição Federal. A ação coletiva ajuizada contra a RBA pede a reintegração dos trabalhadores demitidos e indenização por danos morais

SOBRE A GREVE

A greve dos jornalistas do Diário do Pará, Portal Diário Online e TV RBA, no final de setembro, durou uma semana. O acordo entre o Sinjor-PA e o Grupo RBA, que viabilizou o retorno ao trabalho, assegurou a elevação do piso salarial da categoria de R$ 1.000,00 para R$ 1.300,00 a partir do dia 1º de outubro e nova atualização para R$ 1.500,00 em abril de 2014. Assegurou, também, a estabilidade no emprego por 45 dias e o pagamento dos dias parados. Os grevistas também garantiram equipamentos de segurança, como coletes à prova de balas, para equipes que cobrem a editoria de polícia e distribuição de botas, capas e guarda-chuvas para todos os jornalistas da empresa.

DIA DE LUTA

A audiência na ação coletiva ajuizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Pará contra a Rede Brasil Amazônia de Comunicação ocorre nesta segunda-feira 3 de fevereiro, às 8h20, na 5ª Vara do Trabalho de Belém (travessa Dom Pedro I, 750, bairro do Umarizal – em frente à praça Brasil). Será um DIA DE LUTA. Use branco nas redações, assessorias de imprensa e faculdades de comunicação. Demonstre seu apoio à luta dos jornalistas que estão sendo demitidos do Grupo RBA de forma mesquinha e arbitrária. Quem puder, também está convidado a aparecer por lá. Os jornalistas estarão reunidos a partir das 8h. Diga não ao assédio moral e manifeste sua repulsa a todas as formas de retaliação, desrespeito e desvalorização dos jornalistas paraenses. Compartilhe essa ideia.

ACESSE

www.facebook.com/grevediarioedol

Deixe uma resposta