Temer ignora votação de Nicolao Dino e escolhe Raquel Dodge para PGR

Publicado em: 29/06/2017 às 09:02
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Raquel Dodge, a próxima procuradora-geral da República. Antonio Cruz/Agência Brasil

Por Gabriel Hirabahasi.

O presidente Michel Temer escolheu nesta 4ª feira (28.jun) Raquel Dodge para ser a próxima procuradora-geral da República. Ela foi a 2ª mais votada na lista da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Será a 1ª mulher a ocupar o cargo.

Essa é a 1ª vez desde 2003 que o 1º colocado na lista não é escolhido. Nos governos petistas, o mais votado na escolha da ANPR era indicado pelo Planalto para a PGR (Procuradoria Geral da República).

O presidente, no entanto, não é obrigado a escolher o mais votado. Pode, inclusive, escolher um nome que não esteja na lista.

Rodrigo Janot fica na cadeira até 17 de setembro. A posse de Dodge será depois dessa data. Seu nome deverá ser aprovado pelo Senado.

A LISTA TRÍPLICE

Quem teve mais votos foi Nicolao Dino (621). A escolhida, Raquel Dodge, ficou na 2ª colocação com 587 votos. Mario Bonsaglia teve 564.

O mais votado é aliado de Rodrigo Janot –com quem o Planalto está em guerra aberta desde a apresentação da denúncia de suposta corrupção praticada por Michel Temer. Nicolao defendeu a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)

Ele é irmão de Flávio Dino (PC do B), governador do Maranhão. Nas eleições de 2014, o político venceu no 1º turno Lobão Filho (PMDB), apoiado pelo ex-presidente José Sarney, 1 dos principais conselheiros de Temer.

Na eleição da ANPR, havia outros 5 candidatos. Ao todo, cerca de 1.300 procuradores da República estavam aptos a participar, e 1.108 o fizeram. Cada um poderia votar em até 3 nomes. Abaixo, os demais candidatos e quantos apoios obtiveram:

  • Ela Wiecko: 424
  • Carlos Frederico dos Santos: 221
  • Eitel Santiago: 120
  • Sandra Cureau: 88
  • Franklin da Costa: 85

QUEM É A INDICADA

Raquel Dodge está no Ministério Público Federal desde 1987. É graduada em direito pela UnB (Universidade de Brasília) e tem mestrado em Harvard, nos Estados Unidos.

É subprocuradora-geral da República. Sua atuação é no STF (Superior Tribunal de Justiça) em processos criminais. Faz parte da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão, responsável por questões de ordem econômica e relacionadas aos consumidores.

Ela também está Conselho Superior do Ministério Público. Integra o órgão pelo 3º biênio seguido.

Doge participou da redação do 1º Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo. Também atuou na 1ª e na 2ª comissão de adaptação do Código Penal do Brasil ao Estatuto de Roma –tratado internacional assinado em 1998.

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