Temer ignora votação de Nicolao Dino e escolhe Raquel Dodge para PGR

Raquel_Dodge-868x644
Raquel Dodge, a próxima procuradora-geral da República. Antonio Cruz/Agência Brasil

Por Gabriel Hirabahasi.

O presidente Michel Temer escolheu nesta 4ª feira (28.jun) Raquel Dodge para ser a próxima procuradora-geral da República. Ela foi a 2ª mais votada na lista da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Será a 1ª mulher a ocupar o cargo.

Essa é a 1ª vez desde 2003 que o 1º colocado na lista não é escolhido. Nos governos petistas, o mais votado na escolha da ANPR era indicado pelo Planalto para a PGR (Procuradoria Geral da República).

O presidente, no entanto, não é obrigado a escolher o mais votado. Pode, inclusive, escolher um nome que não esteja na lista.

Rodrigo Janot fica na cadeira até 17 de setembro. A posse de Dodge será depois dessa data. Seu nome deverá ser aprovado pelo Senado.

A LISTA TRÍPLICE

Quem teve mais votos foi Nicolao Dino (621). A escolhida, Raquel Dodge, ficou na 2ª colocação com 587 votos. Mario Bonsaglia teve 564.

O mais votado é aliado de Rodrigo Janot –com quem o Planalto está em guerra aberta desde a apresentação da denúncia de suposta corrupção praticada por Michel Temer. Nicolao defendeu a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)

Ele é irmão de Flávio Dino (PC do B), governador do Maranhão. Nas eleições de 2014, o político venceu no 1º turno Lobão Filho (PMDB), apoiado pelo ex-presidente José Sarney, 1 dos principais conselheiros de Temer.

Na eleição da ANPR, havia outros 5 candidatos. Ao todo, cerca de 1.300 procuradores da República estavam aptos a participar, e 1.108 o fizeram. Cada um poderia votar em até 3 nomes. Abaixo, os demais candidatos e quantos apoios obtiveram:

  • Ela Wiecko: 424
  • Carlos Frederico dos Santos: 221
  • Eitel Santiago: 120
  • Sandra Cureau: 88
  • Franklin da Costa: 85

QUEM É A INDICADA

Raquel Dodge está no Ministério Público Federal desde 1987. É graduada em direito pela UnB (Universidade de Brasília) e tem mestrado em Harvard, nos Estados Unidos.

É subprocuradora-geral da República. Sua atuação é no STF (Superior Tribunal de Justiça) em processos criminais. Faz parte da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão, responsável por questões de ordem econômica e relacionadas aos consumidores.

Ela também está Conselho Superior do Ministério Público. Integra o órgão pelo 3º biênio seguido.

Doge participou da redação do 1º Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo. Também atuou na 1ª e na 2ª comissão de adaptação do Código Penal do Brasil ao Estatuto de Roma –tratado internacional assinado em 1998.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.