Temer critica estudantes que ‘não sabem o que é PEC’

Temer critica estudantes que ‘não sabem o que é PEC’

O presidente Michel Temer criticou ontem (8) o movimento de ocupações de escolas ao falar para empresários no seminário de Infraestrutura e Desenvolvimento do Brasil, que ocorre em Brasília. Ele ironizou os estudantes afirmando que não sabem o que o significado da sigla PEC (Proposta de Emenda à Constituição), segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

Jovens de pelo menos 21 estados ocupam há um mês centenas de escolas e universidades contra a reforma do ensino médio, prevista na Medida Provisória (MP) 746, e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que restringe os investimentos sociais do Executivo federal, inclusive em educação. Ambas as propostas são de autoria do governo Temer.

“(Pergunto) você sabe o que é uma PEC? É uma Proposta de Ensino Comercial. Estou dando um exemplo geral de que as pessoas debatem sem discutir ou ler o texto”, disse o presidente durante o evento. Ele afirmou também que é necessário respeitar as instituições e que ao ocupar jovens usam “argumento físico” em vez de “intelectual e verbal”.

Ao todo são 171 universidades ocupadas no país. Já o balanço oficial do número de escolas ocupadas foi suspenso temporariamente devido à inconsistência de dados no Paraná, estado com maior número de escolas ocupadas, onde nos últimos dias ocorreu uma série de desocupações por decisões judiciais. No auge do movimento, em 28 de outubro, eram 1.198 escolas ocupadas no país.

“Nós precisamos aprender no país a respeitar as instituições, e o que menos se faz hoje é respeitar as instituições. Isso cria problemas e o direito existe exatamente para regular as relações sociais. Hoje, ao invés do argumento intelectual e verbal, usa-se o argumento físico. Vai e ocupa não sei o quê e bota pneu velho em estrada para impedir trânsito”, disse, usando incorretamente a expressão “ao invés” – o correto seria “em vez”.

Segundo o presidente, a reforma do ensino médio vem sendo discutida “há séculos” e não é o objetivo de prejudicar os alunos. “É interessante que estamos fazendo uma remodelagem para que não deixe mais que a pessoa, na segunda série, não saiba multiplicar, ou não saiba falar o português, que fala um idioma que a pessoa não sabe nem de onde vem. O que a MP fez foi agilizar o debate”, ressaltou, acrescentando: “Se quiser o final da MP e pegar um projeto de lei que está lá, que assim seja. Queremos a renovação do ensino médio. Se for necessário aprovar um projeto de lei, votaremos, não há nenhum problema nisso”.

A mudança proposta foi duramente criticada por especialistas, que defendem que ela fragmenta a formação. A proposta prevê a flexibilização do currículo para que os alunos escolham entre as áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional. Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia deixam de ser obrigatórias e os professores não precisariam mais ter diploma de licenciatura.

Fonte: Rede Brasil Atual

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